O Sindicato dos Securitários do Rio Grande do Sul completa 85 anos no dia 15 de agosto. E para destacar a data, Luiz Felipe Paradeda, do Seguro Gaúcho, entrevistou os integrantes da atual diretoria da entidade. Em um bate-papo virtual os convidados explanaram sobre o trabalho e os objetivos do sindicato, que batalha constantemente pelo diálogo e a ampliação de direitos de toda a categoria securitária. Participaram da entrevista o presidente do Sindicato, Valdir Brusch; o diretor para assuntos trabalhistas, Ubiratã Oliveira; o diretor financeiro, Everson Figueira; e a secretária geral, Denise Martins.
Já no início da conversa, Valdir disse que desde o surgimento da pandemia, o trabalho da categoria está sendo executado em home office, o sindicato vem perdendo o contato presencial com a classe trabalhadora: “nossa atuação está mais limitada pois não acontecem as assembléias e reuniões presenciais. Faz falta o contato pessoal, que sempre consideramos importante nos debates e nas negociações. Mas a diretoria da nossa entidade continua trabalhando de forma presencial e segue negociando os acordos coletivos”.
O sindicalista explicou que com a pandemia o Governo Federal editou algumas Medidas Provisórias como a MP 936, que tem o propósito de flexibilizar questões trabalhistas durante a pandemia: “com a nova realidade, as empresas do setor de seguros buscaram salvaguardas junto ao Sindicato dos Securitários para terem garantias jurídicas de todos os atos que necessitem realizar”.
Diante dessa realidade o Sindicato dos Securitários teve que analisar de forma individual todos os contratos que foram afetados pela MP 936 referente à redução de jornada de trabalho e de salário e suspensão de contrato de trabalho. “Nossa entidade teve até que elaborar a suspensão de contratos trabalho, os contratos de redução de jornada de trabalho e também os de reposição de jornada dos colaboradores ligados a empresas de pequeno porte ou micro-empresas que atuam no segmento e que não sabiam como executar”, recordou Valdir.
Durante a entrevista os sindicalistas ressaltaram os principais desafios enfrentados, como o entrave relacionado à Reforma Trabalhista de 2017 que afetou de forma negativa a entidade. “Nossos problemas financeiros começaram após essa reforma que determinou o término da obrigatoriedade da contribuição sindical. Com o fim do imposto sindical foi extinta a receita de nossa entidade que tem despesas administrativas regulares. Sem receita é muito difícil de realizar a manutenção de toda a estrutura existente para a realização das demandas do sindicato. Antes da reforma trabalhista tínhamos sete funcionários, incluindo um médico clinico geral e cardiologista e hoje não temos nenhum. São os quatro integrantes da diretoria que realizam todas as funções possíveis”, esclareceu o presidente da entidade.
Quando indagado por Paradeda sobre quais são os desafios existentes na atual conjuntura, Valdir respondeu que os problemas giram em torno do home office com seus aspectos positivos e negativos, já que ele aconteceu de forma abrupta e não possibilitou aos trabalhadores se prepararem para a nova forma de atuação. “Para os funcionários a atividade remota no domicilio tem gerado uma maior carga horária de trabalho, aumento no consumo de energia elétrica em casa e até dificuldades de conciliar tempo e espaço da vida profissional com os afazeres domésticos. Isso tem causado prejuízos emocionais e problemas psicológicos, alguns bem sérios”. Nesse momento Paradeda corroborou com os argumentos apresentados pelo dirigente sindical: “o excessivo convívio entre as pessoas de uma mesma família acaba por desgastar o relacionamento pessoal deles. Por mais que se goste de um filho, em certas ocasiões suas atitudes causam aborrecimentos”.
Valdir enalteceu a importância do movimento sindical e o papel fundamental do sindicato que é o de congregar os trabalhadores na área de seguros e defender seus interesses: “garantir um mínimo de renda para o trabalhador em troca da mão de obra especializada. O pagamento para o securitário deve ser proporcional a sua especialização”. O diretor para assuntos trabalhistas, Ubiratã Oliveira, complementou o pensamento do presidente argumentando que o Sindicato dos Securitários em todas as demandas tem procurado atuar em prol da categoria, mas que ainda falta mais engajamento da classe: “os securitários precisam compreender que as conquistas que obtemos para os trabalhadores das companhias seguradoras são fruto de esforços e negociações que fazemos e que todas precisam ser renovadas anualmente”.
Paradeda perguntou aos dirigentes sindicais qual o balanço que pode ser feito do último ano do Sindicato, em que a pandemia esteve vigente em todo o período. O diretor para assuntos trabalhistas respondeu que as dificuldades decorrentes do isolamento social estão proporcionando mais lucro para as empresas, já que seus colaboradores atuam em home office e elas tem menos despesas operacionais. “Eu gostaria de voltasse a obrigatoriedade de um dia de contribuição sindical. É preciso entender que o sindicato trabalha para seus sindicalizados, mas não podemos agir sem recursos. Temos despesas administrativas, luz, água, IPTU, departamento jurídico e outros encargos”, salientou Ubiratã.
Ao corroborar a mensagem de Ubiratã, o diretor financeiro, Everson Figueira, acrescentou que as dificuldades financeiras enfrentadas pela entidade já existiam antes do início da quarentena: “embora façamos todo o esforço possível devido ao nosso comprometimento com a causa, a situação precisa melhorar. Do contrário ficará difícil prever nosso futuro em médio prazo”.
Já Denise Martins, disse que todo o trabalho realizado pela atual diretoria está relacionado ao idealismo presente no grupo. “Temos muita vontade de atuar e lutar por justiça. Conforme foi explicado por meus colegas, há bastante tempo que enfrentamos dificuldades e isso não é choradeira. Estamos sofrendo com a falta de participação da nossa categoria para fortalecer a entidade. Mas sigo em frente, pois acredito na força sindical e no meu trabalho. Quando negociamos acordos estamos trabalhando em prol da garantia de empregos e de benefícios da categoria”, enfatizou a secretária geral do Sindicato dos Securitários.
Para o presidente do Sindicato dos Securitários, o grande aprendizado que eles tiveram diante da pandemia é que o trabalho sindical tem que prosseguir, com foco, respeitando os protocolos de segurança e distanciamento e atento a nova realidade. “Na nossa avaliação algumas empresas retornarão as suas atividades presenciais e seus colaboradores precisarão se readaptar ao ambiente de trabalho. Nesse caso nossa entidade terá que estar presente para auxiliar e contribuir da melhor maneira possível. Estamos abertos ao diálogo e tentamos uma aproximação maior, mesmo que virtual, com a categoria através das assembléias. Nosso propósito é negociar e representar o trabalhador frente a classe patronal”, concluiu Valdir Brusch.
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