É muito difícil definir ou quantificar o amor de um torcedor por seu clube predileto. No Brasil, boa parte dos garotos já sonharam em algum momento de suas vidas em tornar-se jogador de futebol e ganhar títulos atuando pelo time do coração. Entretanto, passada a fase de ilusões, os estudos e as obrigações profissionais ganham prioridade e o sonho acaba ficando para trás.
Porém, vários torcedores, ao chegarem à idade adulta, encontram uma maneira de fazer parte da história e das conquistas de seu clube. No caso do advogado Carlos Josias Menna de Oliveira, essa paixão está diretamente relacionada ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. No ano em que completa 50 anos de atividade profissional no setor de seguros, Josias vem realizando ao longo dos últimos meses um resgate histórico de sua trajetória profissional para o site Seguro Gaúcho. A seguir, ele abrirá espaço para destacar sua intensa e longínqua relação de amor com o tricolor gaúcho.

Nome de Carlos Josias no Memorial do Clube
Filho de um ex-jogador do Sport Club Rio Grande, Josias nasceu na cidade de Rio Grande e viveu lá seus primeiros 5 anos de vida. Foi nessa época que ele aprendeu a gostar de futebol e a se tornar torcedor do clube que seu pai jogou. Ao assistir as magníficas atuações do atacante Alcindo Martha de Freitas, conhecido popularmente como Bugre, na equipe do Rio Grande em 1963, ele tornou-se fã do jogador: "considero ele o maior centroavante que já vi jogar. O Bugre era uma fortaleza física".
Alcindo havia sido emprestado pelo Grêmio ao Rio Grande, prática comum na época, o empréstimo de atletas pelos times da capital aos do interior. Era 1963 e no fim do ano goleador do campeonato o tricolor de Porto Alegre trouxe Alcindo de volta e carregou o coração do futuro advogado que viu no Grêmio a sua paixão. No ano seguinte, Josias foi morar em Porto Alegre e o Bugre estava jogando. Nascia ali a forte relação de amor que até hoje Josias tem com o clube da Azenha.
A paixão pelo Grêmio era tanta que ser torcedor não bastava para Josias, pois ele tinha que de alguma forma participar ativamente da historia do clube. E aos 25 anos iniciava sua trajetória dentro da Instituição: "conheci um dos mais notáveis gremistas e um dos maiores presidentes do clube, Hélio Dourado. E ele notou que eu nutria grande amor pelo Grêmio e convidou-me a colaborar com clube". Sua função era a de auxiliar os torcedores que desejavam pagar as mensalidades de sócio e por isso ficavam nas filas que eram formadas antes do início de cada jogo: "embora estivesse quase graduado em Direito, eu desempenhei essa função com a maior satisfação possível, de 1981 a 1983. E eu tive sorte, pois participei de um período de grandes conquistas como o Campeonato Nacional, a Taça Libertadores da América e o Mundial de Clubes".
Por seu envolvimento profissional no direito securitário, o então jovem advogado ficou afastado de qualquer função administrativa no Grêmio por 10 anos, período em que permaneceu associado ao clube, mas suas visitas ao estádio Olímpico aconteciam apenas para assistir aos jogos. Entretanto, no ano de 1993 Josias foi convidado pelo conselheiro Renato Moreira para exercer uma função no Grêmio. "Na ocasião o Cacalo havia se tornado o comandante do futebol na gestão do presidente Fábio Koff. O Renato Moreira era o vice-presidente jurídico e necessitava montar uma equipe para o departamento jurídico do clube. E nesse contexto eu fui inserido", recorda.

Discurso na comemoração do Grenal Farroupilha
Josias relembra que quando Fabio Koff assumiu em 1993, o Grêmio recém havia retornado da série B do campeonato brasileiro e a situação financeira do clube era bastante desfavorável: "no começo da gestão a entidade tinha dificuldades pra pagar luz, telefone e água, mas o trabalho sério e competente de Koff e todo o departamento, fez com que o Grêmio voltasse a crescer e obtivesse grandes conquistas. O principal título foi o Bi campeonato da Taça Libertadores da América em 1995. E eu permaneci nesse departamento de 1993 a 1998, na função de diretor jurídico".
Embora sua história dentro do clube tenha sido recheada de acontecimentos significativos, Josias afirma que nunca postulou nada no Grêmio: "jamais postulei algo para alguém, inclusive fiquei surpreso quando fui eleito para o Conselho Deliberativo do Grêmio em 1994, já que naquela época eu não tinha aspiração política e nem havia solicitado para ser conselheiro".
Após o ano de 1998, Josias deixou de atuar como dirigente de futebol, embora tenha permanecido no Conselho Deliberativo. Mesmo ausente das decisões ligadas ao futebol, sua paixão pelo clube permanecia intensa fazendo com que ele continuasse assistindo aos jogos da equipe.
Em 2004 esteve na Comissão de Reforma Eleitoral que conseguiu aprovar as eleições diretas no clube, voto da torcida.
Seu retorno ao Grêmio aconteceu em 2005 quando da primeira eleição pela torcida na história do clube, graças à reforma estaturária da qual participou e ajudou a aprovar, em uma gestão que foi comandada por Paulo Odone. O clube amargava sua segunda queda para a série B do campeonato brasileiro. Como vice-presidente do Conselho de Administração, mas mais ligado à área jurídica sua missão e de todos seus companheiros de gestão era a de reerguer uma instituição que estava acostumada a grandes conquistas.
O grande dilema residia no fato de que as condições eram pouco favoráveis. Josias disse que o clube não tinha dinheiro para contratar jogadores de qualidade e por isso montou um grupo de atletas tecnicamente limitado, o que acarretou em uma campanha irregular no campeonato da série B de 2005: "aquele time retornou para a primeira divisão muito por causa da camisa, da tradição e do amor dos jogadores que integravam o grupo".
Neste período fez a ligação entre o vestiário e a direção tendo acompanhado de perto o futebol todo este ano e até 2007 quando deixou a dirigência com time passando com a taça do dois campeonatos gaúchos e um vice da Libertadores depois de sair do inferno.

Com Lucas Leivas, Patrício e Trevisan | Bicampeão Gaúcho, 2007
O retorno para a primeira divisão ganhou o nome de A Batalha dos Aflitos. Na avaliação do advogado, foi uma epopéia a maneira como o Grêmio ganhou o jogo contra o Náutico e retornou para a primeira divisão. "Recordo que quando desembarcamos no Aeroporto Salgado Filho, o ônibus tricolor foi cercado por torcedores durante todo o trajeto até o estádio Olímpico, que estava lotado de gremistas que festejavam a conquista. Foi um jogo fantástico, constituindo-se no momento alto de minha carreira como dirigente", assegura Josias.
A dedicação e o envolvimento de Josias em prol do clube foram constituídos de estratégia e planejamento constantes durante suas participações como dirigente. E o advogado participou de um momento histórico para o Grêmio. Como registrado anteriormente, em 2004 ocorreu a formação de uma Comissão de Reforma Eleitoral que teve Josias como um de seus membros. "Na ocasião foi realizada a reforma estatutária. Redigimos o novo estatuto que posteriormente foi aprovado pelo Conselho Deliberativo da Entidade. E o novo estatuto introduziu a eleição direta para presidente no Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense num momento histórico", pontua com orgulho Josias.
Como dirigente sua trajetória foi bastante vitoriosa, tanto que Josias nunca ficou sem ganhar títulos: "desde o início na flanelinha, depois como diretor, e por último, como vice-presidente. Após 2007 eu deixei de ser dirigente, mas permaneci no Conselho Deliberativo. Tive vários convites para retornar, inclusive pra concorrer à presidência, mas considero essa hipótese pouco provável já que não tenho perfil emocional para comandar um clube da grandeza do Grêmio".
Durante todo o período que Josias atuou como dirigente do Grêmio, ele viveu muitas emoções e obteve aprendizados e lições importantes sobre o esporte que é considerado o mais popular do mundo. "O futebol é dinâmico, mas também é cruel e não perdoa. Nesse esporte só a vitória interessa e não existe crédito e nem perdão para quem perde", finaliza.

Bicampeão Gaúcho 2006, taça no vestiário do Internacional após o clássico que rendeu o título
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