O Seguro Gaúcho segue abordando diversas temáticas ligadas à área de saúde e, desta vez, a entrevista online de Luiz Felipe Paradeda foi com a psicóloga e psicanalista Silvana Maria Reis Farias. Na pauta do bate-papo virtual, a convidada falou sobre a prevenção do câncer de mama e o aconselhamento genético, tendo como base o histórico da doença em sua família. O bate-papo contemplou aspectos de sua atividade profissional e aspectos relacionados ao câncer.
Paradeda iniciou o diálogo perguntando para a entrevistada sobre aspectos de sua atividade profissional e qual a relação do câncer com as suas experiências e vivencias. Silvana respondeu que ao exercer sua profissão ela auxilia os indivíduos em seu autoconhecimento. Também argumentou ter sido sempre muito atuante no caminho da prevenção e entendimento dos conflitos do ser humano.
Há cerca de 20 anos começaram a surgir casos de câncer de mama em sua família. Em um período de dois anos ocorreram sete diagnósticos da doença. “Diante desses acontecimentos comecei a inquietar-me pelo risco de também adoecer, e acredito que o medo nos deixa vulnerável. Com o estudo da psicanálise, conclui que quando temos temor de algo na vida ficamos suscetíveis para aquela dificuldade. Trabalhando em saúde mental, acompanhei várias situações de consultório em que a pessoa por estar com muito medo se fragilizou e acabou adoecendo”, disse Silvana.
A ocorrência destes casos de doença oncológica com seus familiares, fez com que Silvana percebesse que essa condição de temor poderia vir a tornar-lhe mais propensa ao câncer de mama: “eu queria manter minha estabilidade emocional, desejava não ficar angustiada e, diante dessa realidade, busque as possibilidades de acompanhamento preventivo, além daquelas longamente divulgadas na mídia”.
A psicóloga foi em busca de mais opções preventivas então, chegando ao estudo genético das prevalências de doenças oncológicas. Desta forma deu início ao aconselhamento genético, com uma oncogeneticista. Na ocasião, Silvana relatou ao médico o histórico da doença em sua família, informou que ainda não havia realizado o mapeamento genético e falaram sobre seus receios. Mesmo antes da detecção da mutação de BRCA, foi decidida a cirurgia preventiva, já que a psicóloga não havia diagnosticado nenhuma doença cancerígena na época. “Diante disso me submeti a cirurgia preventiva ao câncer de mama, mesmo sem ter o diagnóstico da mutação. Posteriormente fiz a retirada dos ovários, que é também indicada quando ocorre a mutação genética”, explicou Silvana.
Na opinião da psicóloga, o aconselhamento genético como prevenção do câncer de mama vem crescendo e sendo bastante validado, mas ainda não é amplamente conhecido. “Tive outro parente que apresentou diagnóstico de mutação genética. Diante disso ele começou a realizar exames de PSA a cada seis meses. Graças a essa conduta, foi descoberto um tumor na próstata bem no início, o que resultou em uma cirurgia que não deixou sequelas”.
Paradeda perguntou de que maneira a Graduação em Psicologia ajudou Silvana a enfrentar os problemas ligados ao câncer em nível familiar bem como no momento de auxiliar um paciente que apresenta problemas relacionados a essa doença. A entrevistada respondeu que quando se decide trabalhar com saúde mental um dos requisitos básicos é o de buscar o autoconhecimento, através de terapia ou análise pessoal.Ao vivenciar as situações de câncer em sua família, a psicóloga tomou a decisão de prevenção máxima, já que a doença oncológica costuma ser intensa e torna-se necessário estabelecer um padrão de autocuidado ainda mais rigoroso.“Quando algum paciente compartilha comigo situação ligada a problemas de saúde eu não consigo pensar diferente. Trabalho no sentido de ajudá-lo a compreender os recursos que estão ao seu alcance para que ele se previna e se proteja”.
Na opinião de Silvana, a grande questão é de que maneira as pessoas desejam viver cada dia de suas trajetórias. Para a entrevistada, quando a pessoa não consegue cuidar de sua saúde, possivelmente não conseguirá estabelecer uma ligação consigo de amor próprio adequado: “aqueles que desprezam a própria saúde refletem ter problemas diversos, e desta forma podem estar arriscando-se a quadros de doença grave. Entretanto, quando o indivíduo se considera merecedor de uma vida boa e feliz, poderá ir atrás dos recursos existentes”.
No caso de Silvana, ela concluiu que não precisava passar pelas mesmas dificuldades que as suas familiares passaram, já que tinha acesso ao conhecimento que suas parentes não tiveram a disposição. “Eu pude tomar uma decisão com sabedoria que estava ligada a proteção, e penso ser esse um bom caminho”, concluiu a entrevistada.
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