Seguradoras têm perspectivas otimistas, mesmo em cenário de inflação, guerra e aumento do combustível
Com a falta de carros novos no mercado, um reflexo da pandemia, as seguradoras passaram a mirar os seguros para veículos usados, com dez anos ou mais. Para atrair clientes, elas oferecem desde cancelamento imediato da apólice, parcelamento em 12 meses, opções de escolha de serviços, uso de tecnologia para otimizar a localização de peças e reparos. Há perspectivas otimistas, mesmo em um cenário de inflação, guerra e aumento do combustível.
“Tivemos arrecadação de R$ 3,4 bilhões em 2021, que indica crescimento nominal de 8,8% sobre o ano anterior”, conta o presidente da comissão de seguro auto da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg); Marcelo Sebastião. Para 2022, a perspectiva é crescer 5% e 8%, segundo ele.
Para driblar as dificuldades do cenário econômico local e internacional, a Tokio Marine lançou o produto auto econômico, até 30% mais barato que o tradicional, com possibilidade de cancelar a contratação a qualquer momento e ainda receber de volta o valor proporcional ao período não utilizado. Além disso, o pagamento pode ser feito em até 12 vezes no cartão, diz o diretor-executivo de produtos massificados da Tokio Marine, Marcelo Goldman. “Em 2022, enquanto os seguros de carro zero km têm retração, temos cerca de 30% de crescimento nos de carros usados.”
Segundo o gerente de inteligência de dados da Tex Tecnologia, Genildo Dantas, o seguro tradicional (com cobertura de colisão, incêndio e roubo) tem boa aceitação para veículos com até 10 anos de idade. Para os de 11 a 15 anos, há queda das ofertas em 10%. E para veículos de 16 a 20 anos, de 30%.
Com o menor deslocamento de carros durante a pandemia e a parada da venda de novos veículos, as seguradoras começaram a diminuir o preço do seguro, que alcançou o seu valor mínimo em julho de 2021, com taxa de 3,9% (sobre o valor de mercado do automóvel); pelo Índice de Preços do Seguro Automóvel (IPSA). Em fevereiro, contudo, a taxa voltou a subir e alcançou o valor de 5,7%. Ainda assim, as seguradoras se deparam com falta e alto do custo de peças de reposição e com a valorização acelerada dos veículos no período.
“O mercado vive uma fase de desarranjo. Na venda da apólice o veículo foi segurado por R$ 50 mil, mas no momento do sinistro pode chegar facilmente em R$ 65 mil para alguns modelos”, aponta estudo da área de inteligência da insurtech Tex.
Atenta ao desafio da reposição de peças para veículos usados, a Porto Seguro lançou em 2021 o Bllu, um seguro por assinatura com rede restrita de oficinas e peças compatíveis para o reparo de veículos. “Esse formato propicia flexibilidade na contratação e custo mais acessível, contribuindo com a inclusão securitária”, explica o diretor-executivo de auto da Porto Seguro, Jaime Soares. No portfólio da Porto, ainda há produtos enxutos, comercializados pela Azul Seguros, como o auto leve e o auto roubo, competitivos para veículos seminovos e usados.
Nos primeiros dois meses de 2022, a Bradesco Seguros notou o crescimento de dois pontos percentuais na emissão de seguros para carros usados, comprovando uma tendência atual de mercado. A seguradora já lançara em novembro de 2021 o seguro auto light rede referenciada, com um custo mais acessível, com contratação flexível e opções de assistência dia e noite de guincho, vidros, martelinho, reparo rápido, entre outros serviços. “Entre dezembro de 2021 e fevereiro, tivemos alta de 105% em prêmios, confirmando o sucesso do produto”, diz o diretor da Bradesco, Saint’Clair Lima.
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