O dia 15 de agosto é uma data especial para o Sindicato dos Securitários do Rio Grande do Sul que completa 86 anos de existência. E para celebrar o aniversário da Entidade, o Seguro Gaúcho entrevistou dois integrantes da atual diretoria do Sindicato sobre as ações realizadas e os objetivos da atual gestão, que atua visando o diálogo e a ampliação de direitos de toda a categoria securitária. Participaram da entrevista o presidente do Sindicato, Valdir Brusch, e a secretária geral, Denise Martins.
Já no início da conversa, Valdir disse que o aniversário tem como significado maior destacar o trabalho de toda a diretoria em prol da categoria, já que ocorreram mudanças tanto no mercado segurador, como nas regras trabalhistas. “Vivemos uma época diferente das anteriores e nós tivemos que nos moldar com o tempo em relação a nossa maneira de atuar. Os sindicatos também são legisladores, pois muitas cláusulas existentes em nossos acordos e convenções coletivas acabam sendo cumpridos obrigatoriamente como Lei, como os auxílios alimentação, refeição, creche e muitas outras, as quais não existem na CLT. E quem propiciou isso foi o sindicato dos trabalhadores através de negociação com o patrão” ressaltou Valdir.
O presidente do Sindicato dos Securitários explicou que durante a pandemia a diretoria da Entidade trabalhou muito regulando aspectos relacionados ao trabalho em home Office. As empresas de pequeno porte apresentaram diversas dúvidas sobre que valor pagar ao empregado e como fazer a operação de contrato de trabalho para que ocorresse uma garantia legal: “e quem intermediou isso foi nosso sindicato. Elaboramos a suspensão de contratos de trabalho, os contratos de redução da jornada trabalhista e de reposição de jornada dos colaboradores ligados a esse tipo de empresa, pois elas não sabiam como executar”.
Valdir fez questão de destacar que em 2022 o Sindicato dos Securitários junto com sua assessoria jurídica firmou 23 acordos coletivos e 04 convenções coletivas de trabalho com todas as suas cláusulas e direitos. “Firmamos 27 instrumentos de regulação, o que dá uma média de 04 acordos por mês. Cada acordo é composto da realização de uma assembléia com os empregados, em que é elaborada uma pauta de reivindicações posteriormente entregue ao sindicato patronal ou diretamente às empresas. Depois ocorre um processo de negociação, que na maioria das vezes gera várias reuniões e uma nova assembléia, para então redigir o acordo/convenção e assiná-lo”, explicou.
Diante de um quadro inflacionário crescente que atinge o Brasil, os dirigentes sindicais argumentam que as negociações de reajustes salariais precisam ser analisadas com muito equilíbrio, já que um aumento elevado implicará num alto custo para o empregador, já que sua carga tributária também é alta, e ao mesmo tempo o trabalhador precisa da recomposição de sua renda. “Por isso precisamos buscar um denominador comum em nossas negociações”, pontuou Valdir. “Nas duas últimas convenções que tivemos com as Seguradoras, conseguimos negociar um reajuste que até pode não ter sido o suficiente para a categoria diante dos índices inflacionários, mas pelo menos garantiram os postos de trabalho e os benefícios dos trabalhadores”, complementou a secretária geral Denise.
Os dirigentes do Sindicato dos Securitários enalteceram que além do salário,os benefícios agregam muito ao trabalhador, principalmente para aqueles que possuem vencimentos menores. “Somando os valores do auxílio alimentação e do auxílio refeição, o colaborador de uma companhia seguradora recebe quase R$ 1.600,00 a cada mês. Isso é um valor bem significativo. Eles ainda têm direito a plano de saúde, auxílio creche e PLR”, esclareceu Valdir.
Após dois anos de pandemia a sociedade está retomando às atividades presenciais, mesmo que impactada por mudanças significativas no formato de trabalho, como o home office. Diante dessa nova realidade os entrevistados avaliam que para o Sindicato o balanço é positivo, já que seus dirigentes se readequaram e passaram a trabalhar no formato remoto para diminuir as despesas geradas por um espaço físico. Todas as reuniões realizadas são virtuais e têm sido mais produtivas do que no período em que aconteciam de forma presencial e os documentos assinados estão sendo todos digitalizados.
Entretanto, em relação a metodologia de trabalho para o setor de seguros ainda está ocorrendo a readaptação, já que nem todas as seguradoras retornaram completamente ao formato presencial e vários colaboradores seguem em home Office. “Nesse período de pandemia aconteceram demissões no mercado de seguros, mas também em quase todos os setores da economia”, pontuou Valdir. Na avaliação de Denise o formato virtual de trabalho foi excelente para uns, mas não para todos: “quando iniciou a pandemia tudo aconteceu de forma abrupta e alterou a dinâmica das seguradoras. Agora o mercado ainda está se readaptando e futuramente chegaremos a um novo normal”.
No encerramento da entrevista, Valdir disse que a categoria precisa cada vez mais compreender a importância do Sindicato, pois a Entidade desempenha um papel fundamental que é o de congregar os trabalhadores na área de seguros e defender seus interesses: “é muito bom estar no outro lado recebendo benefícios como auxílio alimentação e auxílio refeição e não contribuir com uma mensalidade de apenas R$ 25,00 mensais ou um dia de contribuição assistencial anual para nosso sindicato. Precisamos da colaboração de todos”.
Denise ratificou as palavras do colega Valdir, argumentando que eles estão sofrendo com a falta de participação da categoria para fortalecer a Entidade: “quando negociamos acordos e convenções estamos trabalhando em prol da garantia de empregos e de benefícios. Vamos lutar para que exista uma legislação que atue em prol de uma remuneração para esse tipo de prestação de serviços que é o sindicato”, concluíram Valdir e Denise.
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