No coração do bairro Mathias Velho, em Canoas, Rio Grande do Sul, vive Maria Paula Hoff, uma menina de apenas seis anos que já acumula os títulos de Miss Brasil Mirim e Rainha do Sul Mini. Contudo, a recente tragédia climática que devastou o estado trouxe à tona uma história de luta e resiliência, não apenas de uma pequena miss, mas de todo povo gaúcho.
A trajetória da pequena miss no mundo dos concursos de beleza começou cedo. Aos três anos, durante a pandemia de Covid-19, sua mãe, Paula Aires Hoffmann, criou um perfil no Instagram para a filha, que rapidamente chamou a atenção pela beleza e carisma. "As pessoas sempre se referem a ela como uma criança muito bonita. Resolvemos então criar uma conta na rede social e ela começou a fazer comerciais para pequenos comércios da região, aceitando em troca alguns mimos", lembra a genitora.
Foi assim que Maria Paula recebeu o convite de uma produtora do Rio de Janeiro para participar de um concurso online representando o Rio Grande do Sul. “A transmissão foi pelo Google Meet, contou com a participação de jurados nacionais e internacionais e o resultado foi o melhor possível: Maria ganhou o título de Miss Beleza Baby Rio Grande do Sul 2022/2023”, relembra Paula.
Desde então, a jornada desta gauchinha no mundo dos concursos de beleza não parou. Ela acumulou diversos títulos, incluindo o Miss Brasil Beleza Brasileira, conquistado em dezembro de 2022. "Lutamos e conseguimos ir para São Paulo, onde a Maria recebeu todos os títulos, ganhando inclusive o prêmio principal de Miss Mirim Beleza Brasileira, em 1º lugar, melhor traje típico, troféu de danças anos 60 e retornou para o RS, cheia de troféus e faixas, prêmios e lembrancinhas e dali até segue acumulando diversas premiações,” relata a mãe.
Uma tragédia inimaginável
Porém, a alegria das conquistas foi interrompida pela enchente que atingiu o Rio Grande do Sul. A família de Maria Paula perdeu tudo e, infelizmente, não possuía nenhum tipo de seguro. Paula descreve os momentos de desespero: "A enchente para a família até o momento em que se sabia que a água da serra desceria em direção à nossa região, era como para muitos gaúchos, algo difícil de mensurar e até acreditar. Ninguém imaginava que a tragédia tomaria a proporção que tomou”.
Na madrugada do dia 4 de maio, o alagamento que tomava conta de todo o lado oeste do município começou a invadir a residência. “A água chegou pelos bueiros, fazendo com que fossemos cercados por ela, que chegou por baixo, muito rápido. Quando percebemos que a situação era grave e a correnteza muito forte, conseguimos pegar apenas os filhos, Maria e os irmãos de 16, 12 e 4 anos”, relembra a mulher.
A família conseguiu sair de casa, alcançando em segurança o hoje chamado de “lado seco da cidade”, iniciando ali uma peregrinação por abrigos que durou aproximadamente três semanas, após a mudança para a casa da irmã e na sequência, da avó materna de Maria, onde puderam permanecer até o retorno para a residência da família.
O retorno, quase 30 dias depois, foi um choque. "A água cobriu toda a casa, os barcos poderiam passar por cima tranquilamente. A construção de madeira, havia boiado, ficando atravessada no pátio e em razão disso se abriu, caindo as repartições, o quarto das crianças afundou, o piso afundou, o telhado saiu do lugar, sobrando apenas o cômodo da cozinha com o banheiro”.

Coragem e perseverança para recomeçar
A família está agora vivendo em um espaço pequeno, de 4mx5m, onde antes ficava apenas a cozinha, que junto com o banheiro, foi o que restou em pé, tentando recomeçar. O mais difícil agora, segundo a mãe, é o entulho que segue em frente ao terreno e já impediu que recebessem doações de aterro, por impossibilitar o acesso ao pátio. “Agora precisamos que o entulho seja removido, para que possamos aterrar o buraco e começar a ter espaço para guardar doações e reconstruir nosso cantinho”.
Apesar das dificuldades, a solidariedade tem sido um alívio para todos. "Graças a Deus não está faltando alimentos. Recebemos doações de cestas básicas, produtos de higiene e limpeza", agradece. A esperança de reerguer a casa é o foco maior da família, para depois iniciar a etapa de arrecadar móveis e demais itens essências para esta retomada a uma vida normal.
Enquanto isso, Maria Paula continua com seus sonhos. Ela será aclamada como Miss Rio Grande do Sul Mini Pacific Kids 2024 e representará o estado no concurso Rainha e Mister Brasil América 2024, em Sapucaia do Sul. "O único sentimento da minha família no momento é em relação à perda dos três gatinhos, que ela sente muito”, revela a mãe.
Um motivo para comemorar
Paula comemora que quando esteve de barco para ver a casa que estava com água ainda pela metade, conseguiu resgatar os títulos da filha. “Consegui resgatar e higienizar todas as faixas e devolver para ela, foi algo bem emocionante e marcante, porque faz parte da história da Maria e já estávamos dando como perdidos. Graças a Deus foi possível salvar”.
Para ajudar Maria Paula e sua família, as doações podem ser feitas através do PIX: (51) 98523-5254, em nome de Paula Hoffmann.
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