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Setor de seguros brasileiro investe R$ 2,3 bilhões em inteligência artificial em 2025

Pesquisa da CNseg e EY revela que 80% das seguradoras já adotaram alguma solução de IA, mas retorno financ ...



Geral
February 26, 2026

Por Isabela Zampiron | Seguro Gaúcho
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O setor de seguros brasileiro já incorporou a inteligência artificial ao seu dia a dia. É o que revela pesquisa realizada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) em parceria com a EY: 80% das empresas consultadas afirmam ter implantado alguma solução de IA internamente ou voltada ao cliente. O investimento de 2025 chegou a R$ 2,3 bilhões e a projeção para 2026 é de R$ 2,6 bilhões.

O estudo ouviu 26 empresas associadas à CNseg, realizou entrevistas com 17 executivos de mercado e consultou ainda dois reguladores (Banco Central e Susep) e um especialista externo em IA. As empresas participantes somam R$ 210 bilhões em receita, representando 50,7% do mercado. Os dados foram coletados entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 e divulgados na terça-feira (25) em uma coletiva de imprensa conduzida por Alexandre Leal, Dyogo Oliveira e Nuno Vieira.

Por que as empresas estão investindo em IA?

O aumento da produtividade é o principal motivador para a adoção de IA em 2025. Em seguida aparecem a melhoria da experiência do cliente (81%), a automação de tarefas (69%), a redução de custos (65%) e a diferenciação competitiva (50%). Geração de novas receitas (35%) e reforço de segurança e gestão de risco (15%) fecham a lista.

Na prática, os ganhos aparecem em processos como desenvolvimento de código, análise documental, respostas de ouvidoria e avaliação da qualidade de chamadas. No atendimento ao cliente, chatbots mais precisos e tempos de resposta menores são os avanços mais frequentes.

Como as soluções são desenvolvidas

A maioria das empresas (77%) adota uma abordagem híbrida, combinando desenvolvimento interno com soluções externas, como APIs (Interface de Programação de Aplicações) de IA generativa, Copilot e plataformas de mercado como Microsoft e Salesforce. Apenas 15% desenvolvem tudo internamente, enquanto 4% recorrem exclusivamente a parcerias e outros 4% utilizam soluções prontas de fornecedores.

Resultados alcançados

O impacto da IA no setor ainda é gradual. Para 77% das empresas, a tecnologia trouxe melhorias pontuais em processos existentes, sem alterar significativamente o modelo de negócio. Apenas 19% relataram impacto considerável e somente 4% descreveram transformações disruptivas.

Em termos financeiros, 84% das empresas registraram aumento de receita de até 1% com a implementação de IA. Os resultados mais expressivos aparecem nas operações: redução de 30% a 50% no tempo de resposta ao cliente, duplicação do número de cotações automatizadas, crescimento de 30% na produtividade de TI e melhoria das capacidades tecnológicas em 88% das empresas.

A redução de despesas estimada para 2025 ficou em torno de R$ 140 milhões. Para 2026, a projeção sobe para R$ 177 milhões — um crescimento de 27%.

Quem investe mais

Empresas ligadas a bancos se destacam pelo volume de investimento: 43% delas projetam alocar mais de 1% da receita em IA, ante 11% das empresas não ligadas ao sistema bancário. Para 2026, as multinacionais planejam destinar entre 1% e 2%, enquanto 78% das nacionais ainda pretendem investir até 1% da receita.

Obstáculos

A integração com sistemas legados é o principal obstáculo para implementar IA (69%), seguida pela precisão e confiabilidade dos modelos (58%), falta de expertise técnica e estratégica (46%) e custo de implementação (38%).

Para a criação de equipes dedicadas à IA dentro das empresas, as dificuldades mais citadas são restrições orçamentárias (70%), percepção de retorno inadequado sobre o investimento (52%), preferência por alternativas de menor custo (37%) e insuficiência de expertise interna (33%).

A pesquisa identifica ainda um fenômeno chamado de FOMO (Fear of Missing Out): a pressão executiva para criar casos de uso de IA sem clareza de retorno ou sem a devida transformação dos processos. O resultado pode ser a adoção de soluções inadequadas em situações que poderiam ser resolvidas com tecnologias mais simples. Os projetos-piloto são apontados como etapa essencial antes de escalar qualquer iniciativa.

Visão de futuro

As empresas olham para os próximos cinco anos com ambição. Segundo o estudo, 68% esperam ter ao menos um processo totalmente automatizado em áreas como sinistros, resgates, pagamentos, subscrição e operações. Dois terços (66%) pretendem criar equipes dedicadas à IA, e 62% projetam redução de custos superior a 1% em 2026, sendo que 20% delas esperam cortes acima de 5%.

Brasil x EUA

Comparado ao mercado americano, o Brasil apresenta taxa de adoção de IA muito próxima: 80% contra 84% nos EUA. A governança também segue padrões similares, com predominância de modelos centralizados e híbridos nos dois países.

A diferença aparece nos resultados. Enquanto no Brasil 77% das empresas relatam apenas impacto incremental, nos EUA esse índice cai para 56% e 37% das seguradoras americanas já reportam impacto substancial. Os casos de uso norte-americanos também são mais avançados e centrados no cliente: venda cruzada via chatbot, gestão de risco, detecção de fraudes, análise preditiva e oferta personalizada de produtos.

As barreiras, por sua vez, são praticamente as mesmas: integração com legados (69% no Brasil, 66% nos EUA) e precisão dos modelos (58% e 59%, respectivamente). Nos EUA, porém, 100% das empresas apontam orçamento e falta de expertise como obstáculos para formar equipe.

Próximos passos

Para os organizadores do estudo, a IA já entrega agilidade e eficiência ao setor, melhorando a experiência de milhões de brasileiros. O próximo ciclo, segundo a pesquisa, é o de ganhar escala com governança, ética e foco absoluto no consumidor.





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