August 11, 2026
Por Isabela Zampiron | Seguro Gaúcho
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 representaram, na avaliação de Rodrigo Cunha, Gerente de Produtos e Inteligência de Mercado da MAG Seguros, um marco na percepção da população sobre a necessidade de proteção financeira e patrimonial. Segundo ele, eventos dessa magnitude tornam concreto um risco que, muitas vezes, era considerado distante.
Para Cunha, mais do que impulsionar diretamente a contratação de seguros, a tragédia reforçou a importância da proteção e da prevenção. "Na MAG, percebemos que o tema passou a fazer parte de forma mais recorrente das conversas entre nossos especialistas e os clientes, que passaram a buscar mais informações sobre coberturas, riscos e planejamento", afirma o executivo.
Vida e patrimônio ganham espaço
O gerente destaca que os produtos ligados à proteção patrimonial ganharam maior visibilidade após as enchentes, assim como o Seguro de Vida, que se consolidou como instrumento de proteção financeira da família diante de desastres capazes de comprometer renda e estabilidade. Na MAG, segundo ele, o Seguro de Vida segue como o principal produto de planejamento financeiro de longo prazo, complementado por outras soluções conforme o perfil do cliente.
Cunha pondera, porém, que a resposta da companhia não passou pela criação de produtos específicos para um único risco climático, mas pela evolução contínua do portfólio, com mais personalização de coberturas e contratação mais simples e digital, sem abrir mão da orientação consultiva do corretor.
Tecnologia e gestão de riscos
O executivo avalia que o mercado segurador tem avançado na gestão de dados e nos modelos de avaliação de riscos com uso de inteligência artificial, o que já permite respostas mais rápidas aos segurados em situações de crise. Na MAG, ele cita o programa MAGia, que integra IA para apoiar decisões e automatizar processos, e a plataforma MAG Phygital, que usa machine learning para identificar o momento ideal de oferta de soluções personalizadas.
Ainda assim, Cunha alerta que a frequência crescente de eventos extremos exige atualização permanente dos modelos atuariais e investimento constante em tecnologia. "Mais do que indenizar prejuízos, o setor tem um papel estratégico na prevenção, na adaptação às mudanças climáticas e na construção de uma economia mais resiliente", afirma.
Lições da crise
Segundo o executivo, as enchentes de 2024 deixaram aprendizados importantes para a companhia. Na época, a MAG prorrogou prazos para clientes impactados, priorizou o atendimento à região atingida e mobilizou uma campanha interna que arrecadou R$ 100 mil para apoiar colaboradores e corretores diretamente afetados pelas inundações. "O episódio reforçou para a companhia que o compromisso com a proteção envolve toda a sua rede de relacionamento", diz Cunha.
Erros comuns na contratação
Ao comentar os equívocos mais frequentes na hora de contratar seguro pensando em enchentes e alagamentos, Cunha cita três pontos: a crença de que toda apólice cobre automaticamente qualquer evento climático, a decisão de compra baseada exclusivamente no preço e a falta de revisão periódica das coberturas contratadas. "Ao longo da vida, o patrimônio cresce, a renda muda, surgem novas responsabilidades familiares e profissionais, e os riscos aos quais estamos expostos também se transformam", explica.
Déficit de proteção segue como desafio
O executivo reconhece que o processo de conscientização entre os gaúchos ainda está em construção. Ele cita dados da CNseg de 2024, segundo os quais cerca de 80% da população brasileira seguia desassistida por algum tipo de proteção securitária. No Rio Grande do Sul, o cenário ficou evidente nas enchentes: conforme a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (Sedec), 85% das empresas atingidas pelas chuvas não tinham seguro contra perdas e danos.
O papel do corretor
Para Cunha, diante da tendência de eventos climáticos extremos mais frequentes, o papel do corretor se torna cada vez mais estratégico, atuando como consultor de proteção financeira e não apenas como vendedor de apólices. Para qualificar essa atuação, ele cita o Programa para Formação de Novos Corretores, mantido pela MAG em parceria com a ENS – Escola de Negócios e Seguros.
O executivo prevê que o setor segurador deve acelerar investimentos em inteligência artificial, análise preditiva, modelagem climática e georreferenciamento nos próximos anos. Mas, para ele, o impacto vai além da tecnologia: "O seguro também desempenha um papel social e econômico relevante, contribuindo para a recuperação financeira de famílias, empresas e comunidades", conclui Cunha.
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