September 2, 2026
Por Isabela Zampiron | Seguro Gaúcho
O terceiro e último dia do 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, foi dedicado a discussões sobre o futuro da atividade de distribuição, o desenvolvimento dos seguros de pessoas e benefícios e a abertura de novos mercados para os profissionais do setor. A programação reuniu representantes de seguradoras, entidades reguladoras, especialistas e lideranças do mercado.
As atividades começaram às 8h45, com a palestra “A Apólice Invisível”, conduzida pelo médico psiquiatra Pablo Vinícius. A apresentação abriu espaço para uma reflexão sobre aspectos que nem sempre são percebidos de forma direta nas relações de proteção e no cotidiano.
Seguros de pessoas e benefícios em debate
A programação da manhã seguiu às 9h30, com o painel “Seguro de Pessoas e Benefícios: Inovação e Desenvolvimento”. Mediado por Ricardo Garrido, presidente do Sincor-RJ, o encontro reuniu representantes de diferentes entidades e empresas do mercado.
Participaram do debate Fernando Dantas, presidente do Sincor-CE; Edson Franco, CEO da Zurich Brasil; Luciano Soares, presidente da Icatu Seguros; e Nilton Molina, presidente do Instituto de Longevidade e do Fundo de Pensão da MAG.
O painel colocou em discussão as transformações no segmento de seguros de pessoas e benefícios, além das oportunidades de desenvolvimento diante das mudanças nas necessidades dos consumidores e do aumento da demanda por soluções de proteção.
Na sequência, das 10h35 às 11h40, o congresso abordou “Autorregulação e PDMIS – A ponte para o futuro do Corretor de Seguros”. O painel foi mediado por Augusto Coelho Cardoso, consultor da Escola de Negócios e Seguros (ENS), e contou com palestra do economista Claudio Contador.
A discussão reuniu ainda Júlia Normande Lins e Marcilio Otavio Nascimento Filho, diretores da Susep, e Maria Filomena Magalhães Branquinho, presidente do IBRACOR. O debate tratou de mecanismos de autorregulação e dos caminhos para a evolução da atividade do corretor.
Novos mercados entram na pauta
Às 11h55, o segundo painel da manhã discutiu os “Novos Mercados de PPM e Cooperativas de Seguros”. O encontro foi mediado por Marcelo Augusto Camacho Rocha, assessor da ENS, e teve como palestrante Carlos Queiroz, diretor da Susep.
Participaram como debatedores João Armando de Castro Santos, presidente do Sicoob Credseguro; Hugo de Castro Andrade, coordenador de Ramos da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); e Marco Antonio Gonçalves, presidente do Conselho Consultivo da MAG e do Fórum Mario Petrelli.
A discussão ampliou o olhar sobre as possibilidades de expansão do mercado e sobre modelos que podem representar novas oportunidades de atuação para os profissionais de seguros.
Tarde é dedicada às salas de negócios
A partir das 14h30, a programação se dividiu entre as Salas de Negócios, que seguiram até as 18h20. Os espaços promoveram apresentações de seguradoras e entidades sobre produtos, estratégias comerciais e tendências que podem gerar novas oportunidades para os corretores.
No Auditório IBDCOR, um dos destaques foi a discussão sobre os impactos da Reforma Tributária para o corretor de seguros, com participação de representantes da Fenacor, Sincor-SP e CNseg. Na sequência, a atleta e campeã olímpica Fabi Alvim, do vôlei brasileiro, participou do encontro “Além do Esporte: Desafiando Barreiras Invisíveis”, promovido pelo Sistema Fecomércio RJ Sesc/Senac.
A Porto concentrou sua programação em estratégias comerciais, soluções financeiras e crédito, tecnologia aplicada às oportunidades de vendas e o conceito de corretor “mais phygital”, com foco na fidelização de clientes por meio de serviços.
Na MAPFRE, os temas passaram pela nova experiência do seguro Auto, pelo momento do seguro de vida e por estratégias para os segmentos Property e Aeronáutico.
O Bradesco retomou discussões sobre riscos climáticos e oportunidades de proteção, planejamento sucessório e os desafios e oportunidades do seguro saúde. Na apresentação “Bradesco Saúde: Desafio e oportunidade em seguro saúde”, o superintendente sênior Maurício Rocha chamou atenção para o crescimento do mercado e para o espaço ainda existente para expansão dos planos de saúde no país.
Para o executivo, a expansão do emprego e da economia cria um ambiente favorável para o mercado de saúde, especialmente porque muitas empresas utilizam o benefício como ferramenta para atrair e reter profissionais.
Tecnologia e inteligência artificial continuam em destaque
Assim como no segundo dia do congresso, a tecnologia e a inteligência artificial ocuparam espaço importante na programação. A ENS voltou a apresentar o painel “IA Depois do Hype – O futuro do Corretor de Seguros na Era dos Agentes Inteligentes”, com o professor e fundador da AVEX AI Lab, Celso Brandão.
A instituição também retomou o debate sobre as transformações na atuação profissional do corretor, com a palestra “Corretor Despachante Morreu – E agora?”, apresentada por Samy Hazan, professor da ENS, consultor da SOSA Global Innovation e corretor especializado em seguro viagem.
Já a Tokio Marine apresentou novamente o debate sobre o uso de tecnologias e inteligência artificial como aliadas do corretor, desta vez ao lado de discussões sobre riscos climáticos, proteção social e o novo papel do seguro residencial. Na palestra “Do Risco Climático à Proteção Social: O novo papel do Seguro Residencial” a superintendente de Produtos RD Massificados, Magda Truvilhano, falou sobre o novo papel do seguro residencial diante das transformações climáticas e sociais. Para ela, o produto vem deixando de ser associado exclusivamente à proteção patrimonial e passando a incorporar serviços e soluções mais próximas das necessidades cotidianas dos segurados.
A apresentação também abordou uma iniciativa da Tokio Marine relacionada à violência doméstica. A seguradora ampliou a cobertura de despesas com aluguel para mulheres em situação de violência doméstica, permitindo que elas tenham acesso a um local provisório para recomeçar.
A medida, segundo Magda, surgiu a partir de uma reflexão sobre o papel do seguro para além da proteção de paredes e bens materiais.
“Nós poderíamos fazer a respeito. A gente viu que tinha riscos que não apareciam nas apólices, mas que deveriam estar de alguma forma”, explicou.
A executiva ressaltou que a cobertura não pretende solucionar o problema da violência doméstica, mas representa uma iniciativa da iniciativa privada para oferecer suporte em uma situação de vulnerabilidade. A Tokio Marine também disponibiliza assistência com apoio psicológico e jurídico para mulheres em situação de violência.
Diversificação das carteiras
A programação também reforçou a importância da diversificação das carteiras e da identificação de novos nichos.
Na Allianz, os participantes discutiram riscos e oportunidades nos seguros patrimoniais e de engenharia, os desafios do segmento automotivo e novas oportunidades de proteção para condomínios, empresas e residências.
O Grupo HDI abordou estratégias para ampliar a geração de leads e a conversão junto ao setor de Recursos Humanos, além de oportunidades em ramos elementares e o papel da assistência 24 horas como diferencial para os corretores.
A MAG concentrou sua agenda na especialização profissional, com a proposta de preparar corretores para se tornarem especialistas em proteção financeira.
A programação da tarde também contemplou o Porto Bank, soluções de seguro de vida da MAPFRE, produtos patrimoniais e automóveis da Allianz e estratégias da Tokio Marine para diferentes perfis de clientes.
Exposeg e encerramento
Paralelamente às atividades, a Exposeg permaneceu aberta das 12h às 22h, oferecendo espaço para relacionamento entre corretores, seguradoras e demais participantes do congresso.
O encerramento da programação ocorreu à noite. Das 20h às 21h, foi realizado o jantar, com patrocínio do IBDCOR. Na sequência, das 21h às 22h30, o grupo Monobloco subiu ao palco para o show de encerramento, também com patrocínio do IBDCOR.
Ao longo dos três dias, o 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros apresentou uma agenda que combinou discussões institucionais, tendências tecnológicas, estratégias comerciais e relacionamento. No último dia, os debates reforçaram uma das principais mensagens do evento: diante de um mercado em transformação, o corretor precisa ampliar sua capacidade de atuação, acompanhar as novas tecnologias e identificar oportunidades em diferentes segmentos de proteção.
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