August 4, 2015
Sócios privados pressionaram por mudança em resseguradora
BRASÍLIA - A apenas dois meses de abrir o capital na Bolsa de Valores, o IRB RE (ex-Instituto de Resseguros do Brasil) trocou o comando. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, o presidente Leonardo Paixão foi exonerado ontem na reunião do Conselho Diretor. A pressão dos sócios privados foi o que teria provocado a sua queda e a ascensão de José Carlos Cardoso, que assume a tarefa de gerir a empresa durante o lançamento inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).
Maior resseguradora da América Latina, o IRB RE faz o “seguro do seguro”, ou seja, cobre o risco das seguradoras, mecanismo normalmente usado em operações de grande porte, como a proteção para acidentes em plataformas de petróleo ou desastres aéreos, por exemplo.
A abertura de capital do IRB RE deve proporcionar um elevado pagamento de tributos, e, por isso, a operação é encarada pelo governo como uma das alternativas para reforçar o caixa do Tesouro e tentar fechar as contas neste ano. No entanto, a troca de presidentes num momento como este faz com que a União perca influência dentro do IRB.
A ligação entre o lançamento de ações e o uso dos recursos para reforçar o caixa do governo preocupa os acionistas privados e motivou a mudança no comando. O argumento usado foi que um nome mais amigável ao mercado poderia agradar investidores.
— Isso tira o dedo do governo. A ideia é dar cara de empresa puramente privada — revelou uma fonte sob condição de anonimato.
Outra fonte a par da mudança, que tira poder da União e do Banco do Brasil, confirmou que os sócios privados fizeram pressão pela troca no comando da empresa.
Com a alteração, os bancos privados — Bradesco e Itaú — ganham mais espaço no comando do IRB RE. Foram as duas instituições financeiras que indicaram Cardoso para a vice-presidência de Resseguros, cargo que ocupava até a decisão do conselho.
Cardoso ficará à frente do IRB durante o IPO, que deve arrecadar cerca de R$ 4 bilhões. A operação é esperada para a primeira semana de outubro. Além de ser uma grande injeção de capital na instituição, deve render bom dinheiro para o governo federal, que anda com dificuldades de fechar suas contas.
Se, com a venda de 40% do capital no mercado secundário (os recursos não passarão pelo caixa da empresa, mas irão direto para os acionistas); o IRB conseguir captar R$ 4 bilhões, só o pagamento de Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) deve render ao governo federal a quantia de R$ 1,8 bilhão.
A mudança dos executivos foi encarada internamente como o último passo antes da formalização do pedido de IPO para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM); que deve ocorrer no dia 14 deste mês.
DIRETOR FINANCEIRO TERÁ MAIS FUNÇÕES
Com a nomeação de Cardoso para a presidência, o diretor financeiro, Fernando Passos, ganha mais poder dentro do IRB RE. Ele também é um dos indicados pelos sócios privados e deve ter as funções ampliadas. Assumirá parte das atribuições que eram do atual chefe. Entre elas, está o controle dos escritórios no exterior, em Londres, Nova York e Argentina. Outra nova tarefa é comandar a gestão de sinistros.
A assessoria de imprensa do IRB RE foi procurada no início da noite — por telefone e e-mail — mas não retornou os contatos até o fechamento desta edição.
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