September 17, 2015
Amanhã (17); último dia da Conferência, o evento receberá o professor da Universidade de Harvard, Michael Sandel
Em seu segundo dia, a 7ª Conferência Brasileira de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (Conseguro); que acontece no complexo World Trade Center, em São Paulo, trouxe novos temas de relevância para o mercado segurador. Foram discutidas as perspectivas do setor financeiro, a qualidade e o controle de custos da saúde e as perspectivas econômicas do país. Em paralelo, aconteceram as palestras do 4º Encontro Nacional de Atuários (ENA) e da 5ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, que analisaram o mercado e o comportamento da sociedade por meio de aspectos sociais.
Saúde
A gestão de acesso à saúde, os modelos de remuneração deste sistema, a criação de novas escalas de tratamentos baseados na utilização de armazenamento de dados dos pacientes e até mesmo o engajamento da comunidade como agente de uma nova forma de pensar a saúde permearam algumas das principais discussões do dia de hoje. No painel "Resolvendo o maior enigma da saúde: melhorando a qualidade com custos controlados", o médico e diretor do Instituto Dartmouth para Políticas de Saúde e Práticas Clínicas, Elliott S. Fisher, apresentou um modelo inovador (Accountable Care Organization – ACO) no segmento de saúde que não existe no Brasil e integra toda a cadeia médica. "Mais de 25 milhões de americanos estão cobertos por esse sistema que, ao contrário do que acontece no Brasil e em outros lugares do mundo, não remunera pela quantidade de serviços prestados como consultas e exames laboratoriais, mas leva em consideração a economia gerada pelas boas práticas de utilização dessas atividades", relatou. De acordo com o presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde); Marcio Coriolano, disse que uma das maiores similaridades entre os sistemas estruturais de saúde do Brasil e dos Estados Unidos é o fato de ambos registrarem um crescimento crescente de custos. "Os problemas observados na saúde brasileira, como a inflação médica, são de ordem mundial", finalizou.
O tema saúde também esteve presente na agenda do 4º Encontro Nacional de Atuários (ENA). O painel "Big Data: a próxima etapa na revolução da informação no mercado de saúde" trouxe reflexões da atuária responsável da Bradesco Saúde, Ana Lúcia Riboli, sobre como as novas tecnologias impactam o modo de pensar o setor de saúde no mundo. Ela chamou atenção para o fato de que o número de pessoas com mais de 60 anos de idade deve dobrar até 2030, alertando sobre como as mudanças no estilo de vida e nas dietas alimentares dos indivíduos, aliadas ao aumento das doenças degenerativas, influenciam o modelo de saúde que existe hoje. "Precisamos pensar a saúde de forma totalmente diferente. O Big Data é uma evolução contínua da informação e da comunicação, mas como vamos administrar todo esse fluxo de informações com o direto à privacidade?", questionou. Já o professor titular do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Renato Assunção, tratou o Big Data como uma ciência de dados que auxilia a criação de novos produtos. "Já estamos na era da saúde digital, quando não só os registros médicos, mas também outros tipos de informações, como dados econômicos dos pacientes, também são armazenados. Na UFMG, por exemplo, temos um projeto que monitora a incidência da dengue em várias regiões do país por meio do twitter", relatou, evidenciando ainda que estamos à beira de uma grande revolução na forma de pensar a epidemiologia.
Ainda na programação do ENA, o professor da Universidade de Chicago S. Jay Olshansky ministrou a palestra "O dividendo da longevidade", ressaltando que é preciso entender a biologia do corpo humano para associar os conceitos de saúde e genética. O palestrante reforçou a tese que "mesmo que a tecnologia avance, o ser humano nunca viverá muito mais do que cem anos", pontuando que, apesar de existirem casos de pessoas que ultrapassam o centenário, não se trata da maioria. "A expectativa de vida varia de país, região, condições e muitos outros aspectos, mas podemos tomar como média entre 75 e 85 anos", analisou. Olshansky também explicou que as doenças degenerativas não serão extintas, mas que, mesmo assim, é importante investir em saúde pública e pesquisas. "Mesmo que a ciência descubra a cura das doenças degenerativas que conhecemos hoje, como o câncer, elas sempre irão existir. Isso porque o corpo humano muda de acordo com o meio em que vive. É, sem dúvida, muito importante que a ciência continue a evoluir, mas o foco precisa ser melhorar a qualidade de vida e não viver para sempre. Isso não é física e nem economicamente saudável".
Solvência II:
Em destaque, o ENA também apresentou as experiências mexicana e espanhola na cultura de gestão de riscos em seguros. O diretor geral da Asociación Mexicana de Instituciones de Seguros, A.C (Amis); Recaredo Arias, falou sobre o cenário mexicano no âmbito da implementação da Solvência II como instrumento de administração integral de riscos. "A Solvência I apresentava um modelo para alguns perfis de riscos, mas não era levado em consideração a amplitude destes riscos", pontuou, sinalizando que o Brasil é um dos países mais avançados no que se compreende como pilar 1 da Solvência II, mas ainda há muito a ser estudado, principalmente, no que se refere a riscos catastróficos. Em linha com a presidente da Unión Española de Entidades Aseguradoras y Reaseguradoras (Unespa); Pilar González de Frutos, ambos concordaram que o mais importante no processo de adoção da Solvência II é que ele seja conduzido de forma eficiente, ainda que não seja rápida. Em relação ao mercado europeu, Pilar de Frutos informou ainda que existem hoje mais de cinco mil companhias de seguros ativas na Europa e que a questão da proporcionalidade financeira é uma das que mais geram controvérsias na execução das metodologias de Solvência II. "Levamos em consideração o tamanho do risco que está sendo segurado e não o tamanho da empresa, se ela é de pequeno ou grande porte", relatou. Finalizando o painel, Recaredo Arias disse que no México as operações relacionadas a seguros compreendem apenas 2,1% do PIB do país. "Não adianta haver a regulamentação mais avançada do mundo se não houver uma agenda para ampliação do volume de negócios", concluiu.
Proteção do Consumidor:
No primeiro dia da 5ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, o tema foi a correlação entre educação, violência e aversão a risco. Quem trouxe a discussão foi a professora da Universidade da Antuérpia, na Bélgica, e pesquisadora sobre economias de mercados emergentes, Suncica Vujic. Ela apresentou uma pesquisa feita na Inglaterra e no País de Gales, onde existe uma lei que, desde 1973, determina a maioridade escolar de 16 anos. Sua observação apontou que o baixo salário e desemprego, a disponibilidade do tempo e a paciência e aversão ao risco impactam diretamente na criminalidade. "Quanto maior o salário através de ganhos legais, menor as taxas de crime. Sobre a disponibilidade de tempo, vemos um efeito na "autoincapacitação", ou seja, quem está na escola ou trabalhando, não encontra tempo para cometer crimes". Suncica Vujic também fala da paciência e aversão ao risco, lembrando que, por vezes, os jovens que desistiram da escola, estavam entediados com seu currículo. "Quem é avesso ao risco não teme ser penalizado", complementa.
Para o economista Sergio Besserman, que também participou do painel, a sociedade brasileira, como um todo, atribuiu um conhecimento muito baixo. "O povo brasileiro e a elite não prestigiam conhecimento, o que é mais grave por estarmos na era do conhecimento". Nessa mesma linha, o diretor de Projetos e Pesquisas do Instituto Brasiliense de Direito, Ricardo Morishita, pontua que a educação é um desafio para toda a sociedade, o que também impacto no mercado segurador. "Além de entender que a nossa educação é baixa, também devemos observar que a nossa percepção de risco é muito baixa", ressaltou. Morishita concluiu que a baixa percepção do risco é uma grande barreira para sociedade fazer uma boa gestão de seus próprios riscos. "É exatamente este o ponto que tem uma correlação entre o mercado, a defesa do consumidor, a educação e a violência". Para ele, a educação não afeta apenas a produtividade e a violência, mas a relação que o consumidor tem com o mercado. Atribui a baixa informação proveniente da educação de baixa qualidade à falta de informação do consumidor com relação ao seguro. "O Brasil tem 100 milhões de processos na justiça, cujo custo médio é de 1.700 reais para o país". Para ele, pensar no consumidor mais vulnerável, no que diz respeito à educação é essencial para a tomada de decisão do cidadão.
Ainda sobre a 5ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, a "A rede varejista como representante de seguros" também foi tema de uma das palestras. A coordenadora jurídica da Via Varejo, Tereza Gimenes, defendeu a ideia de que é necessário descobrir as formas mais eficazes de transmitir as condições de aquisição do seguro para o consumidor. "É preciso questionar se cartazes em lojas, com o texto que a regulamentação indica, resolvem esta questão. É necessário não apenas colocar a criatividade para funcionar, como convencer o regulador a apoiar essa comunicação, nem que para isso seja preciso recorrer aos recursos de marketing das companhias para produção de um material consistente e convincente", reforçou.
Já o superintendente Comercial e de Produtos da Garantec - Itaú Seguros, Guilherme Dutra, apresentou dados de pesquisa da CNSeg e do Ibope a respeito da venda do seguro garantia estendida para reforçar a necessidade de se buscar novas maneiras de ampliação do mercado. Entre 2008 e 2014, o número de pessoas que adquiriram o seguro garantia estendida dobrou. A quantidade de seguros vendidos passou de 27,1 milhões para 46,1 milhões. "Apesar desse excelente desempenho, ainda há espaço para crescimento. Entre os chamados consumidores aleatórios (categoria que congrega pessoas que adquiriram e que não haviam adquirido apólices de garantia estendida) apenas 27% afirmaram terem comprado o seguro", pontuou. Além disso, a pesquisa mostra que cresceu a proporção de pessoas que haviam comprado seguro e que estão mais bem informados em relação ao seguro garantia estendida. Diante das informações apresentadas, Vladimir Freneda, diretor Comercial e de Marketing da Assurant Solutions Brasil, retomou a ideia de que a maturidade do mercado de distribuição de massificados via varejo tornou necessária uma revisão do processo. "Até então, não havia massa de informação que pudesse indicar necessidades de melhoria. Foi o mercado que trouxe esses pontos". A advogada e consultora da CNseg, Maria Stella Gregori, reforçou o empoderamento do consumidor no processo, ideia exposta na apresentação do painel. "As empresas precisam colocar o consumidor no núcleo de suas ações. Para isso, é preciso conhecer melhor o seu cliente e ter a noção de que a venda de seguros deve ter um viés de inclusão social e fomentador de poupança. Portanto, é fundamental que todas as informações estejam claras e precisas para que o consumidor possa administrar seus próprios riscos".
Perspectivas econômicas:
A palestra "O setor financeiro em perspectiva", analisou dados e estatísticas da economia brasileira atual, bem como apresentou as projeções para o próximo ano. O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Banco Bradesco, Octávio de Barros, ponderou que "nesse momento de crise é possível fazer reformas que jamais seriam feitas em condição de normalidade". Ele também ressaltou que "o Brasil tem apenas quatro agendas para pensar o seu futuro e não há tanto conflito ideológico que impeça que elas avancem, independentemente dos governos de plantão. A primeira agenda é a criação de um teto para a expansão do gasto público total do Brasil que não possa ultrapassar o PIB nominal; a segunda é a da produtividade; a terceira é o aumento da potência da política monetária; e, por fim, a quarta agenda, e também a mais óbvia, é a infraestrutura com papel protagônico no setor privado". Já o economista sênior do Itaú Unibanco, Caio Megale, fez projeções para o Brasil em 2016. "O cenário hoje é de mudanças externas, com a China mais fraca, commoditiesem baixa e alta de juros nos Estados Unidos. Internamente também enfrentamos um momento difícil. Para 2016 acreditamos em uma queda de 1,2% do PIB, quase 10% de desemprego, inflação de 6,5% e taxa de câmbio de 4,25%. Ainda assim, não temos um cenário de que o Brasil está entrando em um processo de deterioração continuada porque, se esse fosse dessa forma, o câmbio não se estabilizaria, teria mais inflação e o Brasil estaria em um ambiente muito mais preocupante. Acreditamos que esse desequilíbrio fiscal vai ser resolvido mais à frente, após 2016, se a taxa de juros se mantiver em um patamar mais alto, fazendo a inflação cair, e os fundamentos de longo prazo irão pavimentar o caminho da estabilização", analisou.
Sobre a Conseguro:
Um dos eventos de maior vulto do mercado segurador, a Conseguro é promovida pela CNseg a cada dois anos. Nesta edição, pela primeira vez, a Conferência está incorporando outros tradicionais eventos do mercado segurador que constituem a agenda de trabalho da Confederação. São eles: o 4º encontro Nacional de Atuários (ENA); o Seminário de Riscos Emergentes, a 5ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, o Seminário de Controles Internos & Compliance e o Seminário de Distribuição de Seguros.
Destaques na programação de quinta-feira (17/09):
No último dia da 7ª Conseguro, que acontecerá amanhã, quinta-feira, 17/09, será realizado o painel "O que é justiça?", com o professor da Universidade de Harvard, Michael Sandel, que falará sobre justiça e desigualdade social e os limites morais do mercado.
Como parte da 5ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, acontecerá a palestra "Ética nas relações de consumo", que lançará um olhar técnico e mercadológico aos direitos do consumidor. Para esta mesa são esperados a presidente do Instituto Municipal do Procon-Rio, Solange Amaral, a professora da UNIP, Angélica Carlini, o mestre em economia e responsável pelas políticas e campanhas da Consumers Internacional, Luis Mimica e a advogada e professora Mariana de Souza.
Sobre a CNseg:
A Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg) elevou em 2008 ao status de Confederação a Fenaseg (Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização. A CNseg conta em sua formação com a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg); a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi); a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde); e a Federação Nacional de Capitalização (FenaCap). A entidade representa o mercado perante o Governo Federal, a sociedade em geral e as entidades nacionais e internacionais.
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