Geral
November 16, 2015
A alta persistente dos custos médicos e os preços cada vez mais doentios dos planos de saúde não serão resolvidos com apenas um remédio. Será preciso um verdadeiro coquetel de medidas, mas o Governo e o setor privado ainda não estão engajados numa discussão substantiva sobre o assunto.
O diagnóstico é do presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde); que reúne 18 operadoras de planos privados de saúde, em conversa com a coluna.
Economista de formação, Coriolano também é presidente da Bradesco Saúde e membro do conselho de administração da Odontoprev e do Grupo Fleury. Nos últimos anos, muitas operadoras — incluindo a Bradesco Saúde e a Amil — pararam de oferecer planos individuais, cujos preços são controlados pelo Governo. Os planos individuais se tornaram fonte de prejuízo para as operadoras por dois motivos principais.
Primeiro, porque a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) historicamente concede reajustes abaixo da chamada ‘inflação médica’ (o custo dos equipamentos e serviços usados nos exames e procedimentos). Entre 2007 e 2014, a ANS aprovou um reajuste acumulado de 76,6% nos planos individuais, enquanto a variação de custos médico-hospitalares, calculada pelas operadoras, foi de 158%
Segundo, porque todo ano a Justiça (ou a ANS) obrigam as operadoras a cobrir novos tratamentos e procedimentos.
Coriolano defende que o Brasil copie as melhores práticas de sistemas de saúde de outros países, como o Reino Unido, onde há planos menos abrangentes, com uma cobertura básica e portanto mais baratos, e onde o sistema de saúde incentiva os pacientes/consumidores a ir primeiro ao clínico geral, evitando os custos de consultas desnecessárias junto a especialistas.
“No Reino Unido, o general practitioner [clínico geral] é a porta de entrada,” diz Coriolano. “Dali, o paciente é encaminhado ao especialista correto depois do diagnóstico.” O tema vai ser debatido no 1º Fórum da Saúde Suplementar, que acontecerá em 24 e 25 de novembro em São Paulo.
No complexo debate sobre como tornar a saúde um bem verdadeiramente acessível — uma discussão na qual inevitabilidades econômicas competem com sensibilidades políticas — essa conversa com Coriolano é um bom começo para se entender as variáveis envolvidas nessa equação tão delicada.
November 16, 2015
Ouça a entrevista do presidente da FenaSaúde, Marcio Coriolano, à Veja.com
A alta persistente dos custos médicos e os preços cada vez mais doentios dos planos de saúde não serão resolvidos com apenas um remédio. Será preciso um verdadeiro coquetel de medidas, mas o Governo e o setor privado ainda não estão engajados numa discussão substantiva sobre o assunto.
O diagnóstico é do presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde); que reúne 18 operadoras de planos privados de saúde, em conversa com a coluna.
Economista de formação, Coriolano também é presidente da Bradesco Saúde e membro do conselho de administração da Odontoprev e do Grupo Fleury. Nos últimos anos, muitas operadoras — incluindo a Bradesco Saúde e a Amil — pararam de oferecer planos individuais, cujos preços são controlados pelo Governo. Os planos individuais se tornaram fonte de prejuízo para as operadoras por dois motivos principais.
Primeiro, porque a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) historicamente concede reajustes abaixo da chamada ‘inflação médica’ (o custo dos equipamentos e serviços usados nos exames e procedimentos). Entre 2007 e 2014, a ANS aprovou um reajuste acumulado de 76,6% nos planos individuais, enquanto a variação de custos médico-hospitalares, calculada pelas operadoras, foi de 158%
Segundo, porque todo ano a Justiça (ou a ANS) obrigam as operadoras a cobrir novos tratamentos e procedimentos.
Coriolano defende que o Brasil copie as melhores práticas de sistemas de saúde de outros países, como o Reino Unido, onde há planos menos abrangentes, com uma cobertura básica e portanto mais baratos, e onde o sistema de saúde incentiva os pacientes/consumidores a ir primeiro ao clínico geral, evitando os custos de consultas desnecessárias junto a especialistas.
“No Reino Unido, o general practitioner [clínico geral] é a porta de entrada,” diz Coriolano. “Dali, o paciente é encaminhado ao especialista correto depois do diagnóstico.” O tema vai ser debatido no 1º Fórum da Saúde Suplementar, que acontecerá em 24 e 25 de novembro em São Paulo.
No complexo debate sobre como tornar a saúde um bem verdadeiramente acessível — uma discussão na qual inevitabilidades econômicas competem com sensibilidades políticas — essa conversa com Coriolano é um bom começo para se entender as variáveis envolvidas nessa equação tão delicada.
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