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Desvalorização do real pode causar defasagem em apólices patrimoniais

Com a desvalorização do real, empresas com importância segurada medida em dólares devem ficar atentas a se ...



Geral
December 1, 2015

Com a desvalorização do real, empresas com importância segurada medida em dólares devem ficar atentas a seus contratos de seguro, alertam especialistas. No atual cenário econômico do País, indenizações pagas em reais podem gerar prejuízos.

De acordo com João Marcelo dos Santos, sócio fundador da Santos Bevilaqua Advogados, o valor da indenização disposto no contrato é definido no momento de realização do apólice.

“São usadas diversas referências para se chegar ao valor da perda dessa importância segurada e, se for um bem importado, a variação cambial pode ter alguma influência nessa decisão. O valor da indenização, no entanto, é dado no momento da contratação, e ele não será atualizado só porque o dólar mudou de valor. A empresa não pode fazer uma apólice em real e esperar ser indenizada em dólar, é impossível”, avalia.

Um levantamento feito pela corretora de seguros Marsh aponta que, no atual cenário econômico brasileiro, em que até o começo de setembro, o dólar já havia apresentado valorização ante o real superior a 70%, a defasagem entre o valor dos bens segurados e os valores a serem indenizados em caso de acidentes podem deixar o equivalente a um terço da quantia total desprotegida.

Os especialistas ouvidos pelo DCI ressaltam ainda a importância da atenção por parte das empresas no momento do sinistro, uma vez que o ressarcimento pela perda será compatível àquilo que foi estipulado no contrato.

Dessa forma, se o valor a ser coberto pela indenização seja previsto em determinado valor e pago em moeda nacional, em caso de acidentes, danos materiais ou perdas totais ou parciais, esse valor será obedecido pela seguradora, mas sem alterações relacionadas à possíveis variações cambiais.

Para Newton Conde, professor de economia da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi); essas empresas devem estar “preparadas” para lidar com possíveis custos.

“Esse segurado talvez já tenha que estar preparado, porque ele pode não ter ressarcimento de 100% do valor do bem. Se houve perda total de uma máquina e a reposição dela for superior ao valor estipulado pela seguradora, muitas vezes é o segurado que arca com o montante que resta. Existem alguns seguros, por exemplo, que já está delimitado no contrato o que a seguradora cobre e se é até determinado valor. Nesses casos, talvez seja possível que a empresa recorra a um endosso, onde ela revise e atualize o seguro contratado”, diz Conde.

Cotação em dólar

Uma outra alternativa, segundo Santos, é o valor da quantia segurada com cotação direta na moeda americana.

“A valorização ou a desvalorização da moeda é um tipo de risco difícil para a empresa conseguir se prevenir. Já que na contratação de um seguro, a empresa já transfere os riscos para a seguradora, as outras alternativas que ela tem estão relacionadas ao valor do bem. Ou ela pode, no contrato de seguro, fazer uma avaliação de risco o mais conservadora possível em relação ao que estão assegurando ou, na hora de estabelecer o limite de indenização, pagar uma apólice que provavelmente será mais cara, mas que dará a opção de ressarcimento em dólar”, afirmou o especialista.

De acordo com o levantamento da Marsh, os dois seguros mais impactados pela desvalorização do real são os seguros patrimoniais e os seguros de riscos de engenharias, os quais também precisam passar por revisão de valores segurados em reais, principalmente para projetos com prazo superior a um ano.

O estudo ainda ressalta que as principais empresas que sofrem com esse cenário são as usinas de energia, mineradoras, petroquímicas, empresas de petróleo e gás, indústria de papel e celulose de alimentos.

Para Conde, ainda que as variações cambiais tenham aparecido mais intensas nesse ano, as seguradoras precisam passar por uma “atualização” dos serviços oferecidos.

“Isso afeta todas as áreas, e os mecanismos de atualização dos contratos devem ser explorados pelas seguradoras, até por uma questão de manter e expandir a carteira e clientes. Além disso, elas também deveriam atualizar seus corretores para oferecer o serviço”, opina.





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