April 15, 2016
A aderência de coberturas contra tumultos chegou a dobrar no segmento de seguros patrimoniais nos últimos três anos. Apesar da tendência de crescimento, a crise e as dificuldades alegadas pelas seguradoras nos sinistros são obstáculos para a expansão.
De acordo com Ana Maria Lorenzo Acácio, gerente de desenvolvimento de produtos da Yasuda Marítima, o volume de seguros patrimoniais com a aderência dessa cobertura em seus contratos, passou de 8% em abril 2013 para cerca de 16% em março deste ano, dobrando de tamanho. Ela ressalta que os principais motivos desse registro refletem o atual ambiente político e econômico no Brasil.
“O cenário de impeachment e recessão da economia tem uma influência total no aumento dessas contratações. Principalmente porque, olhando para o histórico brasileiro de manifestações populares, estamos em um momento de maior número de pessoas na rua e de maiores riscos para as empresas”, identifica a executiva.
Visto como uma cláusula adicional nos contratos de seguros patrimoniais e sendo, em sua maioria, direcionado para pessoas jurídicas, a cobertura contra tumultos garante a indenização do contratante por perdas e danos materiais por atos predatórios decorrentes de manifestações, greves e lock-outs [fechamento temporário de estabelecimentos, por decisão dos empregadores, em reação a movimento grevista de trabalhadores ou como ato de protesto e forma de pressão contra decisões do governo].
De acordo com a diretora executiva da Gouvêa Advogados, Luciana Gouvêa, no entanto, a falta de comprometimento de seguradoras em pagar as indenizações, pela falta de clareza nos contratos ou por especificações pontuais, dificulta o crescimento de todo o segmento de seguros.
“No Brasil, é frequente vermos uma seguradora não querer te pagar por algum detalhe incluso ou não no contrato. Isso só está começando a mudar agora no País, porque advogados estão reclamando direitos relacionados, mas ainda é algo que cresce paulatinamente”, avalia a advogada.
Para Acácio, no entanto, o crescimento da aderência da cobertura continuará, o que já reflete um ajuste nas taxas de contratação do seguro. “Pensando em nosso histórico de manifestações populares, é provável que a aderência dessa cobertura ainda cresça nos próximos dois anos. Esse aumento das manifestações e das contratações, no entanto, aumentam a exposição de risco e, consequentemente, um agravamento das taxas. No entanto, é bom ressaltar que essa ainda é uma cobertura que apresenta custo baixo, porque não tem frequência de sinistro [número de ocorrências ainda é baixo, o que reflete em um preço menor do seguro], então vale a pena”, avalia a gerente.
América Latina
Um estudo realizado pela resseguradora Swiss Re, mostra que os seguros patrimoniais movimentaram o total de US$ 16,9 bilhões em 2014 na América Latina. O Brasil, por sua vez, representa o maior mercado da região, o segundo maior entre os emergentes e o décimo maior mercado do mundo.
No entanto, a penetração desse seguro no País foi de apenas 0,3% em 2014, apesar dos US$ 6,5 bilhões em prêmios. Segundo o estudo, pelos níveis de renda da população, a maioria dos países na América Latina ainda não atingiu o máximo de seu potencial na cobertura de seguros.
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