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Pequena empresa deixa de contratar seguros corporativos devido à crise

As micro e pequenas empresas (PMEs) estão sem fôlego na contratação de seguros. No mercado, os microssegur ...



Geral
April 22, 2016

As micro e pequenas empresas (PMEs) estão sem fôlego na contratação de seguros. No mercado, os microsseguros ganham espaço ante a crise, mas são considerados de “pouco valor” para seguradoras, com prêmios baixos para justificar investimentos.

De acordo com dados da última pesquisa sobre o assunto, feita pelo Ibope a pedido da RSA seguros, cerca de 75% dos microempreendedores afirmam não possuir nenhuma cobertura.

Dentre os motivos destacados para a falta de adesão das PMEs, o levantamento aponta que 37% dos pequenos negócios afirmam não ter um seguro corporativo por falta de planejamento, seguido pelo custo do seguro (33%) e por acreditarem que um produto como esse não é necessário para a empresa (29%).

Segundo José Antônio Herce, economista e sócio da Consultoria Analistas Financieros Internacionales (Afi); a situação é preocupante nesse cenário das PMEs, uma vez que o setor se baseia no princípio de divulgar seus produtos para “fazer a população entender a importância de se contratar um seguro”.

“A crise, naturalmente, faz com que as PMEs desapareçam. Não termos um seguro extensivo o suficiente no País para alcançar essas empresas é muito preocupante, principalmente porque, quando comparamos, conseguimos perceber que as famílias chegam a ter mais seguros do que as pequenas empresas, que precisam tanto quanto, ou mais, desses recursos”, avaliou o especialista em evento, ao divulgar o estudo “O seguro na sociedade e na economia do Brasil”, feito pela Afi em parceria com a Fundación Mapfre do Brasil.

“Apesar de o seguro ser algo mais de classe média, nós já teríamos percorrido metade do caminho de crescimento no qual temos capacidade se fizéssemos as pessoas entenderem que a realidade em que vivem requer a proteção de um seguro”, acrescentou.

“Essas empresas acabam enxergando muitos obstáculos e poucas vantagens em adquirir seguros, o que é um erro. O risco que elas passam, principalmente no atual ambiente econômico, é descomunal”, ainda avalia Herce, sócio da Afi.

Os especialistas presentes no evento ainda ressaltam que, no cenário de crise política e econômica, o que mais afeta o mercado segurador não é a falta de dinheiro ou investimentos, mas sim a desconfiança dos consumidores brasileiros.

“O Brasil vive um momento ímpar, muito ruim, de sua história, mas as expectativas do setor estão mais positivas agora. Apesar disso, é preciso ter em mente que o Brasil, por conta de seu tamanho e importância, é responsável por puxar negativamente o PIB [Produto Interno Bruto] da América Latina, então o mercado de seguros, de certa forma, realmente fica comprometido nesse cenário”, explica Mauro Batista, presidente da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP).

“O mais surpreendente é o impacto social do seguro e vice-versa. As instituições seguradoras podem falhar drasticamente caso o governo não consiga colocar instrumentos de confiança de volta no mercado. Até porque, quando as pessoas perderem a fé no dinheiro, a economia vai colapsar e nós vamos todos junto com ela”, concluiu Herce.

Microsseguros

De acordo com os especialistas, os contratos de pequeno valor estão no começo e, segundo estimativas da Superintendência de Seguros Privados (Susep); alcançam até 100 milhões de clientes potenciais.

“Nesse quesito, estamos eficientes na elaboração de produtos para o valor esperado por nossos clientes. Não podemos evitar ver que se intuímos mudanças nos perfis dos clientes, temos que intuir isso nos nossos negócios também. A realidade atual é ridícula diante do potencial de crescimento dos microsseguros, porque há ainda um mercado muito dinâmico para se desenvolver”, afirma Herce, da Afi.

Dados da Susep apontam um crescimento de 14,3% no prêmio de microsseguros de danos e pessoas em 2015, em comparação com o analisado em 2014, indo de R$ 85,45 milhões para R$ 97,68 milhões. Já em fevereiro deste ano, o setor teve R$ 5,95 milhões em prêmios, ante os R$ 7,01 milhões observados em janeiro.

Em contrapartida, no entanto, o economista Antonio Penteado avalia que o segmento é “pouquíssimo importante” para o setor de seguros.

“O microsseguro é extremamente insignificante para o mercado segurador. Mesmo se falarmos em um potencial tão alto de clientes, multiplicar isso pelo valor equivalente aos prêmios, não daria nada. É muito pouco para fazer diferença”, diz Penteado.

Ele ainda exemplifica que, por ser voltado para classes de renda mais baixa, os valores dos microsseguros aplicados nos contratos seria “ínfimo” e que, por esse motivo, dificilmente valeria o investimento.

“Para adentrar o mercado e se fazer presente no setor de seguros, esses contratos até podem valer a pena. Mas no quesito rendimento, ainda que multipliquemos pelos 100 milhões de clientes potenciais, ainda arrecadaríamos, talvez, pouco mais de R$ 5 bilhões ao ano”, conta o economista.

Em relação ao esperado para este ano, os especialistas parecem otimistas. “Para reforçarmos o constante crescimento do setor, o momento pede uma seriedade a mais, mas é preciso também ver oportunidades e divulgar o setor”, avalia Wilson Toneto, CEO da Fundación Mapfre no Brasil.





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