May 3, 2016
A primeira vacina contra dengue já aprovada no Brasil poderá chegar às clínicas privadas com preço de até R$ 400 a dose. O produto prevê três doses para obter máxima efetividade.
A estimativa inicial de preço máximo foi calculada pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) – órgão interministerial responsável pela determinação dos preços de remédios no país – após análise de dados enviados pela Sanofi Pasteur, empresa que produz a vacina. O valor final será divulgado em até 60 dias.
O primeiro resultado das análises foi informado pelo presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); Jarbas Barbosa, durante encontro com gestores de saúde. A Folha acompanhou o evento.
“Todo primeiro produto é mais difícil, porque há dificuldade de estabelecer precificação. Exigimos metodologia de custo-efetividade. Esse trabalho está sendo concluído. Provavelmente o parâmetro é preço similar ao da vacina contra HPV, em torno de R$ 400 a dose”, afirmou no encontro. Fabricante e varejo, no entanto, podem negociar preços menores, lembra.
“De HPV, o preço-teto é de R$ 400 (na rede privada, o valor cobrado por dose fica em torno de R$ 380); mas é vendida ao SUS por um preço muito menor. Normalmente o preço-teto é utilizado quando o produto vai para o setor privado e não tem concorrência”, diz Barbosa, que ressaltou que o custo inicial deve passar por nova análise.
A vacina da Sanofi é a única já aprovada no país. Há outras três em estudo, duas em fase final de pesquisas.
Sugerido inicialmente para a rede privada, o valor reduz as chances de a vacina ser incorporada no SUS. A avaliação entre membros do governo é que o preço não compensaria o resultado do produto, cujos índices de eficácia são considerados baixos – a média é de 66% entre os quatro tipos de vírus da dengue.
“Fica praticamente impossível incorporá-la no Programa Nacional de Imunização”, diz o ministro interino de saúde, Agenor Álvares. “Para o governo, o valor informado foi de 22 euros a dose (cerca de R$ 88). Mesmo nesse preço, o impacto é de R$ 10,5 bilhões ao ano, três vezes o orçamento do programa”, diz.
IMPASSE
Outro impasse é que a vacina só é indicada para pessoas entre 9 e 45 anos, o que exclui crianças e idosos, considerados mais vulneráveis a complicações e mortes.
Neste ano, o Brasil já soma 996 mil casos de dengue, segundo dados do Ministério da Saúde obtidos pela Folha. Em 2015, o país registrou recorde da doença, com mais de 1,6 milhão de casos.
Em nota, a Sanofi Pasteur informa que aguarda a definição do valor pela Cmed para comentar. Ainda segundo a empresa, estudos clínicos apontam que a vacina é capaz de evitar oito em cada dez internações por dengue. O produto também reduziu em 93% os casos graves em pessoas acima de 9 anos, diz.
Outros três institutos e empresas pesquisam vacinas anti-dengue: Butantan, Takeda e Bio-manguinhos/Fiocruz (em parceria com a GSK). O mais adiantado é o Butantan. Em dezembro, o instituto obteve aval para iniciar a terceira e última etapa de testes em humanos. O instituto prevê que a vacina, desenvolvida para ser aplicada em apenas uma dose, esteja disponível para uso até 2018.
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