May 17, 2016
Na avaliação de especialistas entrevistados pelo DCI, o governo já está atrasado para anunciar mudanças. A nomeação da nova equipe econômica de Meirelles foi adiada para hoje às 11 horas
Os analistas financeiros esperam divulgações de medidas pela equipe econômica do governo interino de Michel Temer para formular suas projeções sobre o rumo da atividade até o final deste ano.
Na avaliação de especialistas entrevistados pelo DCI, o governo já está atrasado para anunciar mudanças. A nomeação da nova equipe econômica – que seria divulgada ontem -, foi adiada para hoje às 11 horas, pelo atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o que impacta e atrasa a divulgação dessas novas medidas.
Para Roberto Luis Troster, professor de economia da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe); essa demora do novo governo prejudica a consolidação das alterações para retomada de crescimento no País no quarto trimestre deste ano e acrescentou que com isso, o Michel Temer ‘perdeu a chance do cartão de visita’.
Os resultados do Boletim Focus, apurados já sob a gestão do novo governo, e divulgados ontem pelo Banco Central (BC); demonstram essa parada nas previsões para o mercado financeiro referentes ao final de 2016 como no caso da inflação oficial.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2016 ficou estável em 7% – mesmo patamar divulgada na semana passada. Há quatro semanas a inflação registrava 7,08%. Já a mediana projetada para 2017 caiu de 5,62% para 5,50%, que há quatro semanas estava em 5,93%.
Da mesma forma, o mercado financeiro manteve a expectativa para a taxa básica de juros (Selic) para este ano. De acordo com o Focus, a Selic encerrará 2016 em 13% ao ano, mesmo valor da semana passada, enquanto há quatro semanas, estava em 13,38%.
No que se refere ao câmbio, a estimativa para o comportamento do dólar neste ano ficou estável nesta semana: a moeda deve ser negociada a R$ 3,70 em 31 de dezembro de 2016, mesmo valor divulgado no último relatório.
Para o encerramento de 2017, a mediana das estimativas para o dólar se manteve em R$ 3,90. No mês passado dólar estava R$ 4,00.
Ao mesmo tempo, houve alteração na projeção para Produto Interno Bruto (PIB); o que sinaliza essa impaciência do mercado. Os analistas projetam retração de 3,88% em 2016, contra queda de 3,86% registrada na semana passada.
Já para 2017, a previsão continuou a +0,50%. Há um mês, a expectativa era 0,20% de alta.
Já a produção industrial, índice mais afetado pela recessão econômica, apontou retração novamente. A mediana das expectativas de 2016 foi revista de -5,95% na última semana para -5,85%. Um mês antes estava em -5,80%. Para 2017, a previsão se manteve com expectativa de crescimento de 0,74%, que há quatro semanas, estava em 0,69%.
Setores
Caso as propostas de privatização se concretizarem no governo interino de Temer, os setores de infraestrutura – aeroportos, rodovias e portos – e de bens de capital devem alavancar no próximo ano. Isto porque, segundo especialistas, esses segmentos apresentam demanda reprimida.
Para Max Scatimburgo, economista e assessor de investimentos da Atlas Invest, o aço deverá se destacar em 2017 com a abertura do mercado chinês. Já o câmbio deverá beneficiar o setor agrícola, principalmente as commodities.
Os investimentos no geral, podem apresentar perspectiva positiva ainda este ano. Mas apenas no quarto trimestre quando será decidido o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
“Esse é um governo provisório e a leitura dos investidores é que Michel Temer continuará no governo. Mas como não se tem a certeza, os investidores esperam uma decisão final para voltar a investir”, afirmou Nelson de Sousa, professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) em entrevista ao DCI.
“As duas primeiras medidas que a equipe do governo Temer tomar e implementar serão um termômetro. Se derem certo no começo, com reformas na previdência por exemplo, o empresariado começa a investir e isso poderá refletir já no final do ano”, concluiu.
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