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Ninguém segura os atletas brasileiros

Apenas a cobertura do evento movimentou US$ 2 bilhões em seguros, mas não há uma cultura de proteção aos p ...



Geral
August 7, 2016

Apenas a cobertura do evento movimentou US$ 2 bilhões em seguros, mas não há uma cultura de proteção aos participantes nacionais

Quando o nadador americano Michael Phelps cair nas águas do complexo aquático da Barra da Tijuca, em agosto, haverá algo a mais que o separa de seus competidores além da velocidade de suas braçadas: o valor do seu seguro. A apólice que protege o recordista mundial em cinco categorias está na casa de milhões de dólares. Estima-se que um atleta de ponta olímpico europeu ou americano tenha uma apólice que oscile entre US$ 10 milhões e US$ 30 milhões. No caso de estrelas como Phelps ou o corredor jamaicano Usain Bolt, esse valor pode dobrar, ou mesmo triplicar, para até US$ 100 milhões.

A elite olímpica está protegida por seguros milionários, que cobrem o valor que deixará de ser ganho se houver uma lesão, durante ou fora de competições, que os impeça de competir. “Se um trabalhador perder um dedo no exercício de suas funções, o seguro pagará em torno de 5% do valor contratado para garantir a continuidade do trabalho”, diz Patrick Vajda, consultor internacional for Marsh, a maior empresa de gerenciamento de riscos do mundo. “Mas se o Michael Phelps perder um dedo, ele não poderá mais competir. Neste caso, ele receberá o total do seu seguro.”

Essa proteção digna de uma medalha de ouro não existe no Brasil. “Lá fora, as apólices de performance, onde o atleta é segurado para o exercício do seu esporte, são comuns, e até mesmo obrigatórias em contrato, caso da liga americana de basquete, a NBA”, afirma Dulce Thompson, ex-jogadora de vôlei da seleção brasileira na década de 1980, e hoje consultora de seguros para atletas. “Aqui isso é um luxo, não existe.” Ela lembra que, aos 26 anos, teve de deixar as quadras. “Estava com o joelho podre, sem quase andar, e não sabia que havia um seguro específico para o meu caso”, conta.

Cláudia Lupion, colega de Dulce nas quadras, explica que faltam orientação e dinheiro aos atletas, o que impede a criação de uma cultura de seguros. “A realidade aqui é dramática, a maioria dos atletas não tem como se amparar financeiramente e não possui um simples seguro de vida, quanto mais uma proteção para praticar seu esporte”, diz ela. Um caso recente lembrado é o da atleta brasileira Lais Souza, que ficou tetraplégica ao sofrer um acidente quando treinava para as Olimpíadas de Inverno de Sochi, na Rússia, no início de fevereiro.

À época, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) informou que o seguro da atleta não dava cobertura para os seus treinos. Ela teve que recorrer a uma vaquinha virtual para financiar o restante da sua recuperação. Na Olimpíada do Rio, os atletas brasileiros terão uma apólice coletiva, comum a todos. Basicamente, o que foi contratado pelo COB junto à Bradesco Seguros foi uma para assistência médica e odontológica para o caso de algum problema. Quem é do ramo diz que não é suficiente.

Além dos atletas, a Olimpíada em si movimentou o mercado. No dia 7 de agosto de 2012, a cerimônia de abertura da Olimpíada de Londres atraiu a atenção de cerca de 900 milhões de espectadores, ou um em cada oito seres humanos. As estimativas são de que cinco bilhões de pessoas vão assistir a uma ou mais competições. Uma audiência tão grande não apenas movimenta bilhões em patrocínios, mas torna o evento algo irresistível para participantes que ninguém quer convidar: os terroristas. A segurança dos Jogos do Rio tem sido reforçada (veja matéria aqui). No entanto, além da vigilância e das tropas, as autoridades do Brasil e do exterior também se preveniram por meio de seguros.

Apenas o Comitê Olímpico Internacional (COI) tem uma apólice de US$ 2 bilhões, subscrita pelas resseguradoras Munich Re e Swiss Re, que o indeniza se os Jogos forem cancelados devido a terrorismo, catástrofes naturais, protestos civis ou pandemia. Segundo Margo Black, presidente de resseguradora para a América Latina, essa é a terceira vez que o COI faz esse tipo de cobertura. As anteriores cobriram o evento de Londres e os Jogos de Inverno de Sochi, em 2014. “Atentados terroristas eram algo distante de nós, mas agora não dá mais para pagar para ver se eles estão na nossa porta”, afirma Álvaro Igrejas, diretor de riscos corporativos da Willis Towers Watson Brasil.

Ele lembra que no início do ano a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgou um relatório informando que o Brasil estava bastante exposto a ataques terroristas durante a Olimpíada. Coincidência ou não, no dia 21 de julho a Polícia Federal prendeu no País dez suspeitos de ligação com grupo terrorista Estado Islâmico. “Os atentados recentes na Europa, em Nice e em Munique, fizeram dobrar o interesse de empresas de transportes e de eventos que farão atividades em paralelo próximo à Vila Olímpica, que envolvem aglomerações de pessoas”, diz Igrejas.

Não há números consolidados, e as seguradoras guardam seus dados a sete chaves. No entanto, segundo Igrejas, muitas empresas que estão ligadas aos Jogos passaram a demandar apólices que antes não contratavam. Isso é mais evidente nos setores de transportes e de eventos. “Notamos um interesse redobrado de empresas desses setores que vão realizar atividades próximo à Vila Olímpica, especialmente as que envolvem aglomerações de pessoas”, diz Igrejas. “No começo do ano, meu telefone tocava duas vezes por mês, mas agora os interessados ligam a cada dois dias”, afirma.





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