January 23, 2025
Por KR2 Comunicação
No Dia Nacional do Combate ao Trabalho Escravo, celebrado em 28 de janeiro, a Gestão de Riscos de Terceiros desponta como uma poderosa ferramenta para empresas comprometidas em erradicar práticas de trabalho análogo à escravidão em suas cadeias de fornecimento. Mais do que uma exigência de compliance, essa abordagem representa um compromisso ético e estratégico que protege organizações contra danos financeiros, jurídicos e reputacionais.
Bruno Santos, sócio da área de Gestão de Terceiros da Bernhoeft, explica como essa prática garante a transparência necessária: "Ao mapear e avaliar os riscos associados a cada fornecedor, as empresas conseguem identificar e mitigar práticas irregulares, como jornadas excessivas, condições de trabalho degradantes e retenção indevida de documentos. Isso reforça o compromisso com os direitos humanos e fortalece a reputação corporativa".
Setores como agricultura, construção civil, têxtil e mineração são particularmente suscetíveis ao trabalho escravo devido à informalidade, sazonalidade e falta de fiscalização. A complexidade das cadeias de fornecimento e a falta de transparência são desafios significativos para as empresas, tornando essencial a adoção de estratégias eficazes de gestão de riscos. Além disso, a pressão por redução de custos frequentemente pode levar a escolha de fornecedores que não priorizam condições de trabalho adequadas.
Durante uma Auditoria de Campo da Bernhoeft em um fornecedor da área de construção civil, por exemplo, foi identificada uma situação alarmante. Oito colaboradores viviam em um alojamento precário, com cômodos sem energia elétrica e colchões usados no chão, já que não havia camas disponíveis. Um dos trabalhadores relatou crises de coceira após receber o colchão, e as roupas ficavam acumuladas no chão ou sobre malas, devido à ausência de armários individuais. O banheiro, também sem energia, obrigava os colaboradores a realizar suas necessidades e tomar banho no escuro, com água gelada. Além disso, cada trabalhador precisava caminhar 4 quilômetros diariamente, sob sol ou chuva, para chegar ao canteiro de obras.
A alimentação era outro ponto crítico: o valor destinado às três refeições diárias era de apenas R$ 12,00, enquanto a marmita mais barata da região custava R$ 18,00. "Diante dessas condições, a equipe responsável pela auditoria interditou o alojamento, realocou os colaboradores para uma pousada adequada e garantiu melhorias imediatas. Como consequência, a terceirizada perdeu o contrato com o cliente, evidenciando o impacto positivo de uma gestão rigorosa e a importância de assegurar a dignidade dos trabalhadores", conta Bruno.
Por outro lado, a tecnologia tem desempenhado um papel central na modernização da gestão de riscos de terceiros, permitindo maior eficiência e agilidade na detecção de práticas irregulares. Ferramentas de automação e inteligência artificial facilitam auditorias em tempo real e ajudam as empresas a identificar padrões suspeitos. Um exemplo é o Cartão de Identificação com QR-Code da Bernhoeft, que assegura a conformidade documental dos colaboradores em campo e reforça a transparência no processo de fiscalização.
Outro fator determinante é a crescente integração das práticas ESG, que impulsionam as empresas a priorizarem fornecedores comprometidos com os direitos humanos e trabalhistas. Essa abordagem fortalece a governança social, atrai consumidores e investidores conscientes e consolida a reputação corporativa.
Além dos riscos reputacionais, a negligência na gestão de terceiros pode levar a sérias consequências jurídicas, como processos trabalhistas, multas e responsabilização solidária. Por outro lado, empresas que adotam medidas proativas garantem operações mais éticas e sustentáveis, protegendo sua marca e assegurando uma vantagem competitiva no mercado.
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