November 3, 2016
Fora das áreas urbanas um segmento em especial exibe tendência de demanda cada vez maior no mercado de garantias para o negócio: o seguro rural. Hoje, de acordo com a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) – que recentemente lançou uma cartilha para divulgar e esclarecer o produto, menos de 15% de toda área agricultável do Brasil está segurada. Apesar de haver crescimento da procura, o percentual de usuários ainda é muito pequeno frente ao mercado existente. Mas há evoluções: desde 2006, o número de culturas cobertas no País saltou de 25 para 80. Eram menos de 26 mil agricultores segurados e, hoje, eles somam 118 mil. Além disso, os cerca de 1 milhão de hectares segurados em 2006 evoluíram para 12 milhões em 2015, segundo dados divulgados pelo Sistema da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep); em parceria com a FenSeg e com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Os dados divulgados pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg) sobre o segmento revelam tanto as possibilidades de expansão quanto a pouca penetração no setor. O seguro rural apresentou crescimento nominal de prêmio acentuado de 58,6% de janeiro a junho de 2016, evidenciando maior independência da sua contratação à subvenção do governo, cuja estimativa para 2016 é 60% menor – R$ 400 milhões – que a do ciclo anterior.
Para Antônio da Luz, economista da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul); esse percentual de crescimento pelo seguro privado revela apenas uma base muito pequena de adesão. “O crescimento se dá em uma base baixa, por isso é tão expressivo. O maior problema é a instabilidade do governo em fazer sua parte. Uma hora anuncia aporte de R$ 700 milhões para o seguro rural, depois reduz, depois muda de novo. Além do custo, essa falta de estabilidade desestimula e, muitas vezes, impede o produtor de assegurar a sua lavoura”, diz o economista.
Presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, Wady Cury, concorda que é necessária a estabilidade de regras para que o seguro rural possa progredir em um novo horizonte. Segundo ele, às vezes as companhias seguradoras têm dificuldade para realizar um planejamento de operação mais detalhado em curto e médio prazo. “É necessário ter peritos, uma estrutura operacional, e as regras do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em relação ao produto são fundamentais, não só em relação aos valores a serem concedidos, mas, principalmente, em relação ao acesso dos recursos de subvenção, em que momento eles estarão disponíveis para que as companhias possam encaminhar as suas apólices e para saber se esses agricultores tiveram ou não acesso à subvenção”, diz Cury. “Tudo isso nos traz grandes desafios. Os valores são importantes, mas para o mercado segurador é fundamental que haja regras estáveis”, completa.
Para o diretor executivo da FenSeg, Julio Cesar Rosa, plantar sem garantias é uma aventura perigosa, à qual o produtor não pode se sujeitar. “E a ferramenta é necessária não apenas ao produtos mas ao desenvolvimento do País”, ressalta.
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