November 25, 2016
Ontem a noite, lá de cima de um dos vales da cidade condado de São Francisco, Califórnia, Estados Unidos (ou Trumpland, se preferir); resolvi abrir uma garrafa de vinho local. Escolhi um de Napa Valley, despejei um pouco em uma taça, me sentei em frente a meu computador e, calmamente comecei a escrever minhas percepções sobre o que está acontecendo no mercado de seguros brasileiro neste momento em relação à tecnologia. Confesso que foi um momento prazeroso, não apenas pela taça de vinho, mas por discorrer sobre dois assuntos que são os maiores “amores” da minha vida profissional: seguros e tecnologia.
Preciso dizer que estar aqui me inspira a escrever sobre o assunto de uma forma especial, afinal, estou na terra em que surgiram diversos avanços e inovações que se tornaram fenômenos tecnológicos conhecidos na atualidade, frutos de empresas especializadas em “disrupção”, palavra desconhecida até pouco tempo atrás.
De Apple até Uber, aqui sonhadores se destacaram e ganharam notoriedade ao realizar seus sonhos mais malucos, aqueles que pareciam que nunca dariam certo ou que levaram a invenções que nunca imaginaríamos que as pessoas adotariam em seu dia a dia, mas adotaram. A região, de colonização basicamente espanhola, ficou conhecida não só pelos seus devaneios “tech”, mas também pela diversidade de pensamentos e culturas, em um contexto absolutamente democrático e despido de preconceitos na hora de criar algo novo. Aliás, acho que essa liberdade é que contribui para tanta criatividade. Esse pessoal enxerga o mundo de outra forma, entendem que os iguais são muito diferentes e os diferentes absolutamente iguais. A partir do momento em que isso fica claro para todos, a convivência torna-se pacífica e prazeirosa.
Mas o que isso tem a ver com o nosso mercado e o momento que o setor de seguros está passando frente às notícias de que estão surgindo “seguradoras digitais”, ou, se preferir, insurtechs ? Ora, tudo! Pensando um pouco, talvez já inspirado com um pouco do nectar californiano, vi que tem tudo a ver. O mercado brasileiro de seguros há muito ensaia uma reformulação, uma virada, uma, digamos , “saída do armário”. Porque sinceramente, mesmo que com alguma roupagem tecnológica, ainda não vemos muita inovação no nosso mercado senão tentativas de direcionar a distribuição, mas infelizmente quase nada no que diz respeito à fabricação, ou seja, inovação no produto.
Muita coisa foi reinventada nos últimos anos, mas já faz muito tempo que neste segmento (de seguros) nos deparamos com o mesmo tipo de produto, cobertura, forma de abordar, entre outros, sem nenhum tipo de novidade. Minha impressão é que um dos fatores que impedem esse movimento é que por mais que as empresas queiram inovar, sempre que alguém propõe algo novo, diferente do “batidão” que estávamos acostumados, logo leva pedradas e é discriminado. E se não lutar o suficiente, pode apanhar até morrer.
E é exatamente isso o que está acontecendo com a proposta de “modernizar o seguro”, associando tecnologia para permitir um produto novo. No Brasil, a postura do mercado não é diferente daquela que assistimos por parte dos taxistas frente ao Uber recentemente, quando ele despontou no Brasil. Ou de quem se opôs à luz elétrica há algumas décadas, porque não queria que acendedores de velas nas ruas perdessem seus empregos, com medo da inovação. Isso é pura falta de comunicação !!! Quem falou que não precisa de corretor de seguros ? Mais a frente discorro sobre o "precisar".
A Lei da ação e reação é absoluta. Ao apanhar, um novo negócio que se propõe a ser inovador pode acabar reagindo mal e, imaturamente e sem refletir, acabar comunicando errado seu propósito. Mas a verdade, se quer saber, é que esta não é uma guerra contra o mercado. Aliás, muito menos guerra é. No final das contas, inovar é apenas parte do ritmo na história da humanidade e tudo o que queremos é oferecer ao cliente algo que faça sentido, que seja mais prático, personalizado. E a tecnologia pode ser associada para permitir tudo isso, afinal, a era das massas e dos processos sempre iguais, clichés, está ficando para trás e, cada vez mais podemos ver exemplos de sucesso neste sentido no dia a dia, novidades que chegaram, impactaram, mas passaram a ser amplamente utilizadas.
Estar aberto ao novo e entender como caminhar junto, ser parceiro, é a postura que o profissional atualizado precisa ter para sobreviver a esse mundo tão competitivo que estamos vivendo agora. Apenas criticar ou ter medo da novidade não a faz deixar de existir ou acontecer. Talvez, apenas o torne parecido com todos aqueles que na história da inovação tentaram impedi-la, com medo de ficar pra trás.
Agora, falando especificamente sobre uma peça bem importante em meio a toda essa discussão, o corretor de seguros. Como fica esse sujeito bem intencionado, que tanto sabe sobre o assunto, que contribuiu e muito ainda tem por fazer pela indústria de seguros, frente às novidades envolvendo tecnologia para “modernizar o seguro”?
Primeiro, é importante esclarecer que muito se fala sobre a obrigatoriedade do corretor de seguros na cadeia produtiva do setor, mas que na verdade o que é obrigatório é o recolhimento de corretagem ou de contribuição junto à Funenseg. Eu acredito que a obrigatoriedade é muito mais mercadológica do que legal, pois cabe ao corretor de seguros o trabalho de “tradutor” e “defensor” dos produtos de seguro junto ao cliente final. Além disso, ele costuma ser a pessoa que está sempre à disposição, com seu celular em mãos, para melhor atender o usuário final. Ele tem o histórico de todo o mercado em suas mãos, e ele deve ser o principal agente dessa mudança !
O desafio agora é juntar esses dois: o corretor e a tecnologia. E lanço aqui uma sementinha. Se conseguirmos fazer isso acontecer, nasceria o “corretor digital” e, junto com ele, um novo, mais amplo e justo mercado de seguros. Imagine se tívessemos milhões de corretores digitais, ou em tecnologês, "influencers", verdadeiros embaixadores do seguro.
A tecnologia, portanto, ao caminhar lado a lado com o corretor, criaria um efeito multiplicador incrível, pois esses agentes trabalhando em parceria fariam o mercado crescer pelo menos dez vezes mais em um curto espaço de tempo. Ou seja, ao incluir a tecnologia não significa que deixaremos de lado o humano, que não precisaremos mais dele, pelo contrário. Quando o computador surgiu e começou a se disseminar, assistimos ao receio de que professores fossem substituídos por máquinas, mas isso não aconteceu e o profissional continua sendo extremamente importante para o ensino. O que mudou foram as possibilidades, o entorno, o acesso à informação.
Mas para que a parceria com o corretor seja possível, precisa haver uma comunicação efetiva e transparente. Aliás, mais do que isso, precisa haver concessões de ambos os lados. Fazendo um paralelo, é como se o Uber voltasse no tempo e antes de sair operando chamasse os taxistas para criar um produto que fosse melhor para o cliente comum. Quem não gostaria de tal prática?
A minha visão é que isso é possível, porque se tem algo que eu aprendi em minha vida é que nada é impossível quando se quer que dê certo.
O desafio é grande, o mercado maior ainda. E no final do dia não podemos esquecer de uma peça essencial, que muitas vezes fica de lado em todas essas discussões: o cliente. Nós devemos ouvi-los, só que para isso é preciso limpar os ouvidos. Pensar no cliente é, a meu ver, uma forma de melhorar (ou por que não, de mudar) o mundo. E eu acredito que juntos podemos todos trabalhar por isso.
Esse é meu sonho. Meu e de todos os “thinkers” da minha equipe.
VEJA TAMBÉM
Advogado especialista explica como o Judiciário brasileiro arbitra os valores de indenização — e alerta qu ...
Seguradora apresenta novidades do seguro auto, coberturas disponíveis e estratégia de expansão nacional.
Companhia terá estande e Sala de Negócios com palestra sobre Seguro de Vida, além de sorteio de prêmio.



