January 14, 2015
As fortes chuvas que estão castigando São Paulo e várias outras metrópoles brasileiras neste início de ano têm provocado uma série de transtornos. Queda de energia, árvores derrubadas e transporte público fechado estão entre os problemas mais recorrentes. Além disso, quem usa carro precisa ficar atento a outro perigo: os alagamentos.
E é aí que entra outra parte fundamental, o seguro. O motorista que tiver seu carro danificado em uma enchente só será ressarcido pela seguradora caso tenha contratado uma cobertura específica no plano, informa a Susep (Superintendência de Seguros Privados). Entenda como funcionam os seguros e como proceder em casos de danos severos
Segundo a Susep, é importantíssimo ler as cláusulas do manual da apólice de seguro, pois é nela que constam todos os detalhes da cobertura contratada para o veículo.
— Nós recomendamos que os consumidores, ao contratarem um seguro, leiam o manual da apólice que as empresas são obrigadas a fornecer com todas as informações sobre aquele seguro. Ali constarão todas as coberturas contratadas pelo segurado (incêndio, roubo, danos a terceiros, colisões, etc.) e as instruções para receber o seguro.
O problema é que os procedimentos relacionados a enchentes variam de acordo com a seguradora. Segundo o diretor executivo de sinistros da Allianz Seguros, Laur Diuri, a maioria absoluta dos planos comercializados no Brasil inclui a cobertura contra enchentes.
— Aqui são vendidos basicamente os planos completos, que incluem cobertura contra colisão, incêndio, roubo e danos da natureza, como enchentes, queda de raio, granizo, vendaval e árvore caída. É a “cobertura compreensiva”.
A superintendência ressalta também que, em caso de acidente, o segurado deve reunir a documentação necessária referente ao ocorrido e entregar à seguradora, que a partir daí tem 30 dias para pagar o seguro — do contrário, poderá ser penalizada pela Susesp.
Mas o que fazer quando o motorista não contratou o seguro contra enchentes? Esse é o caso do comerciante Luciano Fagner da Silva, de 30 anos, que ficou ilhado com seu carro durante uma chuva de verão no bairro do Itaquera (zona leste de São Paulo); em dezembro de 2014.
Após deixar o carro secando por quatro dias, Luciano guinchou o modelo até uma oficina, onde começou o processo de restauração, que incluiu funilaria e higienização. O custou total foi de R$ 5 mil.
Atualmente, o pernambucano — que ganhou status de celebridade instantânea sob a alcunha de “Gato da Enchente” — afirma rodar normalmente com seu Ford Ecosport, comprado usado em 2009.
Porém, Luciano já adianta que, ao contrário do seu carro atual, vai contratar um seguro para o seu próximo veículo, que espera ser umHonda Civic. Afinal, gato escaldado tem (mais) medo de enchente ao volante.
Por sinal, o problema das enchentes nos grandes centros, como São Paulo, é para lá de antigo.
Por isso mesmo, preparamos um especial para você, internauta do R7, saber como agir em situações de alagamento. O Cesvi Brasil (Centro de Experimentação e Segurança Viária) elaborou um guia com recomendações para os motoristas preservarem o veículo. Confira a seguir as dez dicas de como atravessar uma enchente com segurança.
1. Se o motor do carro morrer durante a travessia, jamais tente dar a partida. Mantenha-o desligado e remova o veículo até uma oficina. Diante da possibilidade de admissão de água, essa prática reduz o risco de danos causados ao motor por um possível calço hidráulico.
2. Observe a altura do nível de água do trecho alagado. A maioria das fabricantes de veículos estabelece uma altura máxima para essas travessias e essa distância normalmente não pode exceder o centro da roda.
3. Dirija o veículo em baixa velocidade, mantendo uma rotação maior e constante ao motor, em torno de 2.500 rpm. Isso diminui a variação do nível da água e seu respingar junto ao motor, dificultando sua admissão indevida e a contaminação de componentes eletroeletrônicos, e melhora a aderência e a dirigibilidade do veículo na travessia.
4. Veículos equipados com transmissão automática devem ser colocados na posição de trocas manuais (se houver). Assim, o automóvel não desenvolverá tanta velocidade, sendo possível imprimir uma rotação maior ao motor. Outra possibilidade é alternar, manualmente, a troca de marchas entre “N” (neutro) e “D” ou “1”, de modo a manter a velocidade baixa durante o trecho alagado, sem descuidar da rotação do motor, sempre em torno de 2.500 giros.
5. Se o veículo for automático e tiver as opções “Winter” ou “Snow” para ajuste de tração, utilize esses recursos. Embora tenham função de conferir maior segurança em trechos de baixa aderência (como neve ou lama); as duas funções (sinalizadas na maioria dos casos pelo símbolo de neve) evitam que o veículo patine graças ao bloqueio do diferencial. Por isso, devem ser utilizados em alagamentos, pois beneficiam o controle da aceleração.
6. Mantenha o menor número possível de equipamentos ligados e fique calmo caso sejam constatados os seguintes sintomas: aumento de esforço ao esterçar (direção hidráulica); variação na luminosidade das luzes do painel de instrumentos, alertas sonoros, flutuação dos ponteiros, luzes de anomalia da injeção eletrônica, da bateria e do ABS (se disponível) acesas, aumento do esforço ao acionar os freios e interrupção do funcionamento da tração 4X4.
Todos esses sintomas provavelmente são causados pela perda de aderência entre a correia auxiliar e as polias da bomba da direção hidráulica, alternador e bomba de vácuo (veículo diesel); sendo, na maioria das vezes, um fato passageiro que não impede a dirigibilidade. Nestes casos, reforce a cautela e desligue periféricos como o som.
7. Desligue imediatamente o ar-condicionado. Essa prática impede que alguns componentes joguem água na tomada de ar do motor, reduzindo o risco de calço hidráulico. Veículos rebaixados e turbinados, na maioria das vezes, apresentam maiores riscos de sofrer calço hidráulico. Por isso, é aconselhável manter a originalidade da montadora. Se o veículo estiver modificado, redobre a atenção aos procedimentos sugeridos.
8. Faça um checkup preventivo caso tenha feito a travessia de um grande alagamento. Assim corrigem-se possíveis alterações do sistema de injeção eletrônica — muitas vezes simples e imperceptíveis — que podem gerar grandes transtornos posteriormente.
9. Após passar por um alagamento, dirija-se diretamente para uma oficina. Pode haver, entre outros, a contaminação do cânister, do óleo da transmissão, do(s) eixo(s) diferencial(is); no caso de veículos com tração traseira ou mesmo quatro por quatro, o que determina a redução da vida útil dos componentes integrantes desses conjuntos, além de riscos acentuados de falhas na embreagem, suspensão e freios. Por isso, ir até uma oficina solicitar a avaliação desses itens é a melhor alternativa.
10. Faça uma limpeza no sistema de ventilação. Após travessias consecutivas de alagamentos, você estará sujeito à contaminação por fungos, micro-organismos e bactérias. Por essa razão é recomendável realizar uma limpeza de todo o sistema para uma utilização segura.
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