January 30, 2015
Os corretores tiveram enorme participação no crescimento do mercado segurador em 2014, estimado em 12%, enquanto a economia brasileira praticamente andou de lado. Quem afirma isso é nada mais nada menos do que Marco Antonio Rossi, presidente da CNseg e da Bradesco Seguros. “O corretor se preparou mais para atender a uma demanda crescente, enquanto as seguradoras buscaram aprimorar produtos e investiram em tecnologia para facilitar a vida do professional de vendas”, disse Rossi, depois de um dia intenso com a divulgação do balanço do Bradesco.
Segundo Rossi, que também é diretor do banco, o corretor deixou de olhar só para o seguro automóvel e passou a aproveitar outras oportunidades de vendas, com o desenvolvimento de produtos e serviços para pessoas. “Hoje temos corretores que investiram e se especializaram em pessoas. Essa é uma tendência que cresce, mas ainda está longe de se consolidar diante do imenso potencial que há para a venda de seguros no Brasil”, enfatiza.
Outro ponto destacado por Rossi é o crescimento das vendas de produtos por meio da internet, do celular e pontos de vendas alternativos. “Isso é resultado das parcerias entre seguradoras e corretores e também de um forte investimento em tecnologia nos últimos anos”, comenta.
Outra contribuição dos corretores para o crescimento das vendas está no investimento na divulgação do seguro na mídia. “O seguro passou a ser um tema mais presente na mídia, tornando o produto parte do dia a dia do brasileiro. Hoje nos facilmente, em um restaurante, escutamos as pessoas discutindo qual o melhor plano de previdência ou comentando sobre o seguro fiança ou seguro viagem. Ainda estamos longe da participação que as seguradoras e corretoras têm na mídia dos Estados Unidos, mas estamos no caminho certo e nos aprimorando a cada dia”.
Tamanho potencial vislumbrado por Rossi para os próximos anos foi o que manteve o crescimento do setor e da Bradesco Seguros em 2014, um ano difícil, porém com crescimento significativo. Os dados completos de 2014 ainda não foram divulgados pela Susep, mas apontam para crescimento de dois dígitos. “Crescemos em 2014, um ano difícil. E agora temos um ano que exigirá esforços de todos. A boa notícia é que as seguradoras se preparam há anos para que o setor tenha um peso maior na economia brasileira. Além disso, todas essas razões que citei nos ajudarão novamente a crescer num ano atípico para a economia brasileira”, comenta.
O presidente da CNseg vê com bons olhos a fala do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de ter técnicos no comando de agências reguladoras. “Não defendemos nomes e sim técnicos. O setor vem ano a ano conquistando a atenção do governo para o setor, e esse canal só tende a ser aprimorado com uma equipe formada por técnicos”, comentou. Quanto à necessidade de aporte de capital das seguradoras para implementação de regras que visam um padrão internacional de comparação dos mercados, Rossi também tem palavras tranquilizadoras. “As seguradoras já vem se preparando para isso há tempos e está tudo dentro do esperado”.
Rossi estima em algumas notícias sobre fusões e aquisições no Brasil, mas não aposta em um movimento intenso como o que tem acontecido mundialmente. “O setor não é vendedor, pois todos que estão aqui sabem que têm oportunidades e querem conquista-las. Também acredito que novos competidores ingressem no mercado, pois há muito espaço para ser conquistado”, diz.
Falando um pouco da empresa que preside, Rossi conta que a Bradesco Seguros colheu os frutos da uma ampla reestruturação no organograma, finalizada no ano passado. A estrutura, antes organizada de acordo com o produto, agora é focada no cliente, o que ajuda a identificar oportunidades de venda cruzada”, diz. A área comercial agora atende as quarto seguradoras do grupo, divididas em dois segmentos: uma para clientes do conglomerado e outra para atender corretores e empresas.
Segundo ele, isso foi determinante para o crescimento em 2014, explica, contando que Marco Antonio Gonçalves foi promovido a diretor geral da área comercial do Bradesco. Outras mudanças, decorrentes da ida de Tarcisio Godoy para o cargo de secretário-executivo do Ministério da Fazenda, foi a ida de José Sergío Bordin para a Bradesco Auto Re e Ricardo Alahmar assumir o comando da capitalização.
Segundo dados divulgados pelo banco, as vendas totalizaram R$ 56,1 bilhões em 2014. A produção registrou crescimento de 13,9%, desconsiderando o convênio DPVAT, em relação ao mesmo período do ano anterior, influenciado pelos produtos de seguros gerais (carro, casa, empresas, transportes entre outros); saúde, capitalização, bem como vida e previdência, que apresentaram crescimento de 28%, 22,5%, 15,2% e 7%, respectivamente.
O grupo segurador Bradesco registrou lucro liquido de R$ 4,4 bilhões, 17,8% superior ganho do mesmo período do ano anterior, de R$ 3,7 bilhões, apresentando um retorno sobre o patrimônio líquido ajustado de 23,7%. As provisões técnicas alcançaram R$ 153,7 bilhões, evolução de 12,5% em relação ao saldo de dezembro de 2013.
A projeção de crescimento das vendas do braço segurador do banco Bradesco está no intervalo entre 12 a 15% para 2015. Enquanto o segmento de seguros situa-se em dois dígitos, a carteira de crédito ficou com estimativa de apenas um dígito: intervalo de 5 a 9%.
VEJA TAMBÉM
Na prática, ele cobre situações como roubo, danos elétricos, vendaval, alagamento e outros imprevistos, de ...
Time de TI do Grupo conquista o topo da Builders League América Latina em competição de alta complexidade ...
Especialista vai apresentar os impactos práticos da Lei 15.040/2024 para corretores e o mercado segurador.



