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Seguro por uso: precificação mais justa e maior segurança no trânsito

O seguro por uso consiste na utilização dos dados do posicionamento de um dispositivo de monitoramento ins ...



Geral
March 10, 2015

O seguro por uso consiste na utilização dos dados do posicionamento de um dispositivo de monitoramento instalado no veículo, complementando os modelos de cálculo de preços para cada apólice. Na prática, o segurado faz a contratação, agenda a instalação do equipamento, paga a primeira parcela e está coberto. “Nada de muito diferente do que já existe hoje”, comenta o especialista Renato Kakiuthi.

Ele esclarece, entretanto, que o método de precificação é diferenciado, ou seja, assim que o veículo tem o dispositivo instalado, inicia-se a transmissão de dados para os servidores da seguradora, que vão calcular os valores mensais com base nas informações reportadas. “Existem diversos modelos de precificação que podem ser utilizados, desde uma tabela fixa por quilometragem percorrida, até uma pontuação mais complexa sobre como o motorista dirige o carro, usando dados como aceleração e freadas bruscas, velocidade média, horários de direção e muitas outras variáveis que não eram possíveis de obter sem os equipamentos de telemática”, acrescenta.

E por que a solução ainda não é adotada pela maioria das seguradoras no Brasil? Kakiuthi reconhece que a resistência é muito grande por parte dos segurados. “A imagem da indústria do seguro é distorcida pelo grande público, pois para uma parcela desta população a confiança é baixa e a seguradora é uma entidade que fará todo o possível para recusar o pagamento de qualquer sinistro. E este raciocínio errado justifica que é moralmente aceitável omitir informações que podem levar a uma cobrança maior do valor do seguro, ou se valer de uma maneira para ter uma vantagem econômica de eventual sinistro. E por fim, seguindo essa lógica falha, toda e qualquer tecnologia nova, seja por meio do questionário do perfil, seja por meio de um novo sistema, só é boa para a seguradora, que vai descobrir mais facilmente uma fraude ou omissão”, opina.

Nessa linha, o corretor de seguros e diretor da Regional Zona Norte, Marco Antonio Cabral, avalia que a ideia é ótima, tendo em vista que realmente serve para impedir a ação de pessoas cujo comportamento inadequado, visando baratear os custos, resultam em informações falsas ou omissas no perfil. “Mas, na minha opinião, antes mesmo de investir no seguro por uso, as companhias deveriam padronizar os seus questionários para perguntas que realmente avaliem de forma coerente o risco, responsabilizando o segurado mal intencionado por equívocos nas respostas”, diz.

Já o corretor de seguros Henrique Fernandes, que atua no Rio de Janeiro, vê o seguro por uso como complemento à atuação da categoria, argumentado que as seguradoras revelam, cada vez mais, a necessidade de ampliar o conhecimento sobre o comportamento do segurado quando solicitam a previsão de quilometragem percorrida ao ano. “Quanto mais precisa for a análise, mais individualizada será a tarifação. Sendo mais individualizada, torna-se mais honesta, tanto da parte da seguradora, quanto do cliente. Nesse aspecto, cabe a nós, corretores, termos o maior volume de dados sobre o uso do veículo. Trata-se de informações que vão além daquelas padronizadas pelas companhias. Independente da tecnologia adotada, procure se aproximar do cliente. Quanto melhor o relacionamento, mais informações ficarão disponíveis”, aconselha.

Dados criptografados

O consultor Kakiuthi aprofunda o tema, lembrando que as seguradoras existem para pagar sinistros aos seus segurados, de modo que falta a percepção de que o seguro é um contrato de boa-fé entre as duas partes, e que o seguro é mutualismo, isto é, todos pagam pelo prejuízo. “Acredito que os pontos de resistência sejam até justificáveis, mas com uma boa definição de estratégia e gestão, com a aplicação de tecnologias de alta escalabilidade e um pouco de coragem, o seguro por uso é uma alternativa vantajosa para todos”.

Nesse contexto, ele explica que não faz sentido o medo de ter informações sigilosas de localização utilizadas para outros fins. “Os dados transmitidos geralmente são criptografados e enviados à seguradora ou ao prestador de serviço. Cada empresa recebe milhares de dados de posicionamento de outros milhares de veículos por minuto, e todo o cálculo do prêmio é feito pelos servidores da empresa. Não há contato de um ser humano com os dados enviados. Um operador da seguradora utilizará os dados de posicionamento única e exclusivamente se o segurado assim pedir, seja através de uma solicitação pelo aplicativo em seu computador ou smartphone, seja através de uma ligação para o serviço de assistência”.

É assim que, ainda segundo Kakiuthi, o seguro por uso traz a vantagem de preços mais acessíveis para motoristas com menor risco confirmado pela tecnologia embarcada, bem como maior comodidade e facilidade para o acionamento de serviços de assistência, uma vez que é possível a informação imediata de acidentes graves para serviços de emergência, ou até mesmo notificar à oficina o tipo de problema mecânico ou elétrico que um carro possui antes mesmo do veículo chegar ao local de conserto.

“Os segurados ganham com preços e serviços melhores, os corretores aumentam o volume de vendas nos nichos existentes e naqueles que estão fora do mercado, mantendo altos índices de retenção com a solução e ainda conseguem resultados melhores para as seguradoras. O seguro por uso é uma tendência mundial. No Brasil, é uma realidade ainda tímida, que já existe e que pode ser expandida, beneficiando segurados, corretores, seguradoras, empresas prestadoras de serviços e toda a cadeia ligada direta ou indiretamente ao setor. Neste ano, acredito que teremos pelo menos mais uma ou duas companhias testando o produto e os pioneiros serão sempre os que colherão os melhores frutos”, enfatiza.

Concessão de descontos

Uma das experiências bem sucedidas no âmbito do seguro por uso é o Porto Seguro Auto Jovem, lançado em 2011, em conjunto com o curso Direção Segura para os segurados. Em 2013, como explica o superintendente de Auto da Porto Seguro, Jaime Soares, o produto incorporou a capacitação em Direção Emocional, viabilizando a concessão de descontos no seguro para jovens, conforme a localidade. Em fevereiro de 2014, foi remodelado com o Programa de Relacionamento Auto Jovem, na região metropolitana de São Paulo que, de modo que, já na contratação, passou a oferecer 30% de desconto no seguro e 30% de desconto na franquia. “Com a novidade, o produto tornou-se o primeiro seguro do mercado a apoiar o jovem a dirigir com mais cuidado e segurança por meio de indicadores de direção e realização dos cursos, cujos resultados podem garantir até 30% de desconto também na renovação do seguro”, acrescenta Jaime.

O executivo confirma que a intenção é estimular novos motoristas a dirigir de forma mais segura. “Como o jovem normalmente encontrava mais dificuldade em fazer seguro de auto por conta do custo e por ter menos experiência na direção, resolvemos abrir a oportunidade para ele”, diz. “Muito além da avaliação do uso, oferecemos subsídios para que o jovem possa ampliar sua experiência e reconhecer mais suas limitações, complementando inclusive o que aprendeu na autoescola”.

Quanto ao papel do corretor de seguros na distribuição do produto, Jaime ressalta que se trata do profissional especializado que identificará as necessidades do segurado para oferecer o seguro mais adequado ao perfil de cliente e têm condições de dar orientações a respeito do Auto Jovem, como funciona o programa e até auxiliar para o agendamento dos cursos.

O Porto Seguro Auto Jovem é destinado a pessoas entre 18 e 24 anos e, por meio de rastreador, a companhia verifica se o segurado dirige a maior parte do tempo abaixo dos 90 km/hora e, no máximo, 5% do tempo de madrugada, considerada entre 0h30 e 5h30. Segundo a seguradora, a carteira deve crescer 20% em 2015.





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