May 8, 2026
Por Isabela Zampiron | Seguro Gaúcho
Raquel Marimon não escolheu a atuária por vocação óbvia. A hoje executiva, natural de Porto Alegre, conta que o curso de Ciências Atuariais surgiu por eliminação, já ela não se via em Medicina nem em Direito, e pela curiosidade sobre algo que mal conhecia. Mas o que começou como aposta virou trajetória intencional: planejou sair do Sul, buscou oportunidades no eixo Rio-São Paulo e foi colhendo resultados à força de competência e entrega.
A maternidade chegou aos 30 anos, quando a carreira estava em plena fase de consolidação. A primeira filha nasceu prematura, e os dias de UTI neonatal deixaram marcas que Raquel ainda sente quando fala sobre aquele período. "Eu saía da maternidade sem levar meu bebê para casa e ainda me sentia grávida, sem tempo para processar nada", lembra. A alegria de finalmente poder levá-la para casa, diz ela, é um sorriso que vem fácil até hoje.
A segunda filha chegou em um momento diferente e igualmente desafiador. A empresa da qual Raquel era sócia atravessava turbulências, e ela tentava ser a "profissional perfeita": aquela que separa vida pessoal e trabalho como se fossem gavetas estanques. A privação de sono, as consultas médicas constantes e a rigidez que impunha a si mesma começaram a cobrar um preço alto.
"Me tornei o bicho-papão da empresa", admite. A impaciência e a irritação acumuladas extravasaram para o ambiente de trabalho. O ponto de ruptura chegou: foi necessário um afastamento total. E foi justamente nessa pausa, que poderia ter sido um colapso, que ela se reencontrou.
Raquel voltou transformada. À frente de uma consultoria com cerca de 30 pessoas, descobriu que o olhar individualizado para cada integrante do time gerava mais resultados do que qualquer meta isolada. Não que metas não sejam necessárias, ela faz questão de ressaltar, mas que as pessoas precisam vir antes delas.
Ao assumir a gestão humanizada, Raquel percebeu que tratar o time como família criava vínculos e comprometimento que vão além de um contrato de trabalho e que os resultados seguem naturalmente.
A alta gestão em saúde e seguros, ela reconhece, é um ambiente historicamente masculino, focado em entregas e resultados. Essa cultura a deixou mais bruta por um tempo, exigindo que ela provasse competência constante e deixasse o feminino de lado. Mas a experiência de gerir seu próprio negócio, aliada à maternidade, abriu uma outra via.
“Hoje tenho uma leitura totalmente diferente. Não precisamos separar vida pessoal e trabalho. No final do dia, somos uma pessoa só”, comenta.
A mudança se refletiu no relacionamento com clientes. A líder dura que existia antes cedeu espaço a uma gestora que enxerga as vulnerabilidades humanas como parte do sucesso de qualquer negócio. "A maternidade me fez crescer", resume. "Minha maior lição é que gestão não é sobre o trabalho, é sobre pessoas."
Na semana do Dia das Mães, a história de Raquel Marimon é um lembrete de que os dois mundos, o da maternidade e o do trabalho, não precisam estar em guerra. Quando se encontram, podem, surpreendentemente, ajudar.
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