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Seguro e longevidade: por que o mercado ainda fala errado com quem mais precisa

Especialista alerta que o setor ainda se comunica de forma técnica e pouco empática com o público 50+



May 14, 2026

Por Isabela Zampiron | Seguro Gaúcho
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Todo 14 de maio, o Dia Continental do Seguro convida o setor a refletir sobre o papel da proteção financeira na vida das pessoas. Porém, apesar de ser um dos instrumentos mais relevantes para a estabilidade econômica, o seguro ainda é percebido por grande parte da população como distante, complexo e pouco acessível, em especial entre quem tem mais de 50 anos.

A contradição é evidente: é exatamente nessa faixa etária que a demanda por previsibilidade e segurança financeira cresce e onde o patrimônio acumulado é maior. Do outro lado, um mercado que ainda se comunica de forma técnica e, por vezes, desconectado das necessidades desse consumidor.

Para isso, Marcos Ferreira, especialista em longevidade, pós-carreira e mercado de seguros com mais de 30 anos de trajetória no setor, ajuda a  entender esse descompasso e o que pode ser feito para superá-lo.

O que muda depois dos 50 anos?

As necessidades de proteção financeira mudam bastante ao longo da vida e Marcos é direto ao apontar a diferença central: enquanto os mais jovens estão na fase de construir patrimônio, quem cruza a marca dos 50 ou 60 anos busca estabilidade e manutenção do padrão de vida. "A prioridade passa a ser a proteção à saúde e a consolidação de condições para geração de renda no pós-carreira", explica. "Esse público busca previsibilidade financeira para sustentar duas ou três décadas de vida ativa pela frente."

A distinção parece simples, mas tem implicações profundas para a forma como produtos e serviços financeiros devem ser desenhados e comunicados para esse segmento.

"Os maduros são exigentes e não se contentam com argumentos que não sejam racionais"

Se a necessidade é clara, a forma como o mercado tenta alcançar esse público ainda deixa muito a desejar. Para Marcos, o setor precisa de mais empatia e clareza. "Usar termos técnicos complicados ou tratar o consumidor com estereótipos é um erro a ser evitado", afirma. Os dados reforçam o alerta. Segundo o estudo Tsunami Latam, 55% das pessoas com mais de 50 anos sentem falta de produtos, serviços e comunicações pensadas especificamente para elas.

Insurtechs e startups: agilidade que o mercado tradicional ainda não tem

Uma das apostas para mudar esse cenário vem das insurtechs e startups voltadas ao público maduro. Marcos, que acompanha esse movimento pela aceleradora Silver Hub, vê nessas empresas uma vantagem clara: nascem focadas em resolver dores específicas, sem o peso dos legados tecnológicos das grandes companhias. Mas ele alerta: este público valoriza muito a solidez e a reputação de uma marca antes de consumir. "O ideal é um mix entre a confiança da marca tradicional unida à inovação das insurtechs."

Como seria um seguro verdadeiramente pensado para a longevidade?

Mais do que produtos adaptados, Marcos defende uma mudança de perspectiva. Um seguro de longevidade de verdade precisaria entender esse momento de vida como algo multidimensional e ir muito além do pagamento de uma indenização. "Penso que a evolução passa por incorporar a manutenção preventiva da saúde física e cognitiva, para evitar o 'incêndio' da doença lá na frente", diz. "Deveria ser um seguro que ajude na gestão do legado, facilitando a organização de documentos e desejos para o pós-vida, e que garanta a renda planejada necessária para que a pessoa seja dona da sua própria agenda até os 85, 90 anos ou mais."

Por que o mercado ainda não chegou lá?

A resposta, para Marcos, passa por uma contradição estrutural. "A indústria de serviços financeiros é uma das poucas que tem o mesmo cliente durante todas as fases da vida, do nascimento ao falecimento. É um privilégio imenso." Mesmo assim, o que se vê é uma oferta de produtos de prateleira adaptada, sem segmentação adequada para este consumidor.

Há também um problema de perspectiva interna: áreas de negócios lideradas por jovens que podem estar projetando seus próprios hábitos e referências no consumidor maduro, quando o ideal seria entender as reais necessidades desse público. "Contar com especialistas em comportamento de consumo e usar as pesquisas disponíveis pode ajudar muito", conclui.





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