June 1, 2026
Por Patricia Aiello
Inteligência artificial, blockchain, integração de sistemas e plataformas digitais vêm remodelando desde a gestão hospitalar até a experiência do paciente, criando oportunidades para ampliar o acesso, otimizar processos e elevar a qualidade assistencial.
Dados da 12ª edição da pesquisa TIC Saúde, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), divulgados em 2025, mostram que a utilização de inteligência artificial (IA) já alcança 18% dos estabelecimentos de saúde brasileiros, sendo 11% na rede pública e 25% na privada. As aplicações mais frequentes incluem organização de processos clínicos e administrativos (45%), melhoria da segurança digital (36%), aumento da eficiência dos tratamentos (32%) e apoio ao diagnóstico (26%).
Para a empresária Patrícia Aiello, fundadora e CEO do Grupo Altros e presidente do Instituto Brasil Inovação, o avanço das tecnologias emergentes representa uma mudança estrutural no modelo de gestão e cuidado em saúde. “Hoje, a tecnologia não atua apenas como suporte operacional. Ela participa da tomada de decisão, da gestão de riscos e da construção de jornadas mais seguras e eficientes para pacientes e profissionais. Estamos vivendo uma transformação profunda, impulsionada pela convergência entre dados, inovação e conectividade”, afirma.
Entre os principais fatores dessa mudança está o crescimento do ecossistema de healthtechs no Brasil. Startups especializadas em soluções para prontuários eletrônicos, telemedicina, interoperabilidade de dados, automação hospitalar e análise preditiva vêm ganhando espaço em um mercado cada vez mais voltado à saúde digital.
Segundo Patrícia, a integração tecnológica entre diferentes sistemas de atendimento é um dos maiores desafios e uma das maiores oportunidades para o setor. “Quando hospitais, clínicas, laboratórios e operadoras conseguem compartilhar informações de forma segura e inteligente, há ganhos diretos em agilidade, redução de desperdícios e continuidade do cuidado”, explica.
Outro ponto de destaque é o uso de blockchain para proteção e gestão de dados médicos. A tecnologia, conhecida pela alta rastreabilidade e segurança das informações, vem sendo estudada como alternativa para fortalecer a privacidade dos pacientes e garantir maior confiabilidade no compartilhamento de dados clínicos.
“O setor da saúde lida com informações extremamente sensíveis. O blockchain pode trazer mais transparência, rastreabilidade e controle sobre quem acessa cada dado, algo essencial em um cenário de crescente digitalização”, destaca a especialista.
A expansão da inteligência artificial também impulsiona melhorias administrativas importantes. Ferramentas automatizadas ajudam hospitais a reduzir custos operacionais, otimizar escalas, organizar fluxos internos e aprimorar a gestão de recursos humanos. Além dos benefícios operacionais, o avanço tecnológico também exige maior atenção à regulamentação e à governança hospitalar.
A Resolução CFM 2.454 estabelece que a responsabilidade sobre o uso de ferramentas de IA é institucional, envolvendo diretamente diretorias técnicas e áreas de compliance. A norma determina que hospitais devem auditar e documentar seus sistemas de inteligência artificial para comprovar segurança, rastreabilidade e ausência de vieses algorítmicos.
Nesse cenário, a certificação da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde para softwares que utilizam IA no apoio à decisão clínica e triagem automatizada também passa a ser um diferencial importante na escolha de fornecedores de tecnologia.
“Não basta apenas implementar inovação. É preciso garantir governança, transparência e responsabilidade sobre essas ferramentas. A tecnologia precisa caminhar junto com segurança jurídica, ética e qualidade assistencial”, reforça Patrícia.
Para os próximos anos, a expectativa é de aceleração ainda maior da saúde digital no Brasil, impulsionada pelo amadurecimento tecnológico, pela demanda crescente por eficiência e pela necessidade de oferecer atendimento mais personalizado e acessível.
“A tendência é que a saúde se torne cada vez mais preditiva, integrada e centrada no paciente. As instituições que conseguirem unir tecnologia, gestão estratégica e experiência humana estarão mais preparadas para os desafios do futuro”, conclui.
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