June 12, 2026
Por Isabella Zampiron | Seguro Gaúcho
Em 1993, Rudy Müller fundou sozinho o que viria a ser a Corp Seguros. No ano seguinte, contratou seu primeiro funcionário. Enquanto isso, sua esposa Lourença tocava uma locadora de vídeo e os dois seguiam, cada um no seu caminho profissional. Mas a vida tinha outros planos.
Em 1996, Rudy quebrou a perna. Sozinho na corretora, sem funcionários e com propostas físicas que precisavam ser protocoladas nas seguradoras, ele se viu diante de um problema concreto: como manter o negócio funcionando, já que contratar um motoboy sairia caro? A solução veio de casa. Lourença vendeu a locadora, pediu demissão do emprego que tinha na Arca Administradora de Consórcios e foi trabalhar com o marido. O que começou como uma necessidade se transformou em parceria.
Cada um no seu lugar
Desde o início, a divisão foi natural. Lourença assumiu a administração, lidando com custos, gastos e organização interna. Rudy ficou com as vendas. Uma divisão por afinidade que, três décadas depois, segue a mesma.
"A discordância sempre vai existir, até porque são duas mentalidades diferentes: ela com olhos administrativos, eu com olhos comerciais.", conta Rudy, com bom humor. "Mas sempre chegamos a um meio termo. Uma sociedade é como um casamento: cada um cede um pouco para o bom conviver."
Família dentro e fora da empresa
Com 42 anos juntos como casal e 30 como sócios, Rudy e Lourença criaram uma cultura onde os limites entre o pessoal e o profissional são flexíveis e isso nunca foi visto como problema. As conversas de trabalho chegam em casa à noite e nos fins de semana, e o tema seguro sempre pairou nos almoços de família.
Não à toa: o filho mais velho trabalhou na corretora antes de migrar para a área de investimentos; o caçula cuidou do marketing e hoje mora na Austrália; e o filho do meio, engenheiro químico, começou a trabalhar com os pais neste ano. A empresa tem, literalmente, sangue de família.
O mesmo vale para a equipe. "Nossas funcionárias já trabalham conosco há mais de 10 anos. Considero minha equipe uma família, então é inevitável que elas participem das nossas vidas e nós, das delas", diz Rudy. Para os clientes, porém, a postura é outra: problemas pessoais ou profissionais jamais transparecem no atendimento.
O momento mais difícil
Em meio a três décadas de sociedade, um episódio ficou marcado acima de todos. Lourença enfrentou um câncer e precisou se afastar da empresa por alguns meses. Foi a equipe que abraçou o negócio junto com Rudy durante a ausência da sócia. "Graças a Deus, tínhamos uma excelente equipe", recorda ele.
O conselho de quem viveu
Para quem pensa em empreender ao lado do parceiro ou da parceira, Rudy tem uma sugestão prática e uma dose de realismo bem-humorado: "Trabalhem em áreas separadas ou, se não for possível, dividam os clientes!", brinca. Mas, além do conselho prático, ele aponta os pilares que sustentaram a sociedade ao longo do tempo: "Paciência, tolerância e saber ouvir são atitudes muito importantes. Acima de tudo, ambos têm que ter o mesmo objetivo final: o crescimento e a manutenção da empresa."
Trinta anos depois, a Corp Seguros segue de pé e o casal que a construiu, também.
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