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Governança da IA passa a ser prioridade na saúde diante do aumento da demanda assistencial

Especialista defende que vantagem competitiva das operadoras dependerá da capacidade de controlar como a t ...



Geral
July 1, 2026

Por Maida Health
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O envelhecimento da carteira dos planos de saúde tem elevado a demanda por exames, internações e tratamentos de maior complexidade, aumentando a pressão sobre as operadoras para ganhar eficiência sem comprometer a segurança assistencial. Dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostram que o número de beneficiários com 59 anos ou mais cresceu 3,1% em 12 meses e chegou a 8,71 milhões em abril de 2026.

Nesse cenário, o uso da Inteligência Artificial como ferramenta para promover produtividade e maior segurança já é consenso. A questão, no entanto, deixou de ser se a tecnologia será aplicada, mas como garantir que decisões baseadas em dados sejam transparentes, auditáveis e confiáveis. É centrado nessa discussão que o tema "A governança da Inteligência Artificial" ganhou espaço nas discussões do AI Summit Brasil Healthcare, no Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InRad).

Participante do painel "Dados, LGPD, Cybersegurança e Risco Corporativo: O Que o Board Precisa Saber", o CEO da Maida;health, André Machado Jr., defendeu que a eficiência da IA depende da qualidade da governança construída ao seu redor. "Segurança e eficiência não competem. Na saúde, elas precisam nascer juntas. Só somos eficientes quando protegemos os dados do paciente e apoiamos o profissional com informação qualificada para a tomada de decisão", afirmou.

Segundo o executivo, modelos de IA voltados à saúde precisam operar sob quatro princípios: supervisão humana, validação técnica, auditabilidade e segurança dos dados. Na prática, isso significa que toda decisão apoiada pela tecnologia deve permitir identificar quais informações foram utilizadas, quais protocolos orientaram a análise e quem validou o processo. "Na saúde, nós não governamos algoritmos. Governamos decisões que impactam pessoas", resumiu.

A aplicação desse modelo já começa a produzir resultados na operação das operadoras de saúde. Um dos exemplos apresentados pela Maida;health é um motor de regras desenvolvido para automatizar processos de regulação médica e processamento de contas. De janeiro a maio de 2026, a ferramenta analisou, em um dos clientes da Maida, 3,3 milhões de solicitações de exames, consultas, internações e outros procedimentos, automatizando 95,1% das respostas. Desses, apenas 4,9% dos pedidos precisaram ser encaminhados para avaliação da equipe técnica especializada.

Para Machado Jr., a Inteligência Artificial deve assumir atividades repetitivas e de grande volume de processamento, permitindo que médicos e especialistas concentrem sua atuação nos casos que necessitam de análises mais qualificadas. "Não treinamos a Inteligência Artificial para substituir o conhecimento clínico. Treinamos a tecnologia para ampliar a capacidade dos especialistas, tornando as decisões mais rápidas, consistentes e seguras", afirmou.

A governança também é apontada como ferramenta para reduzir desperdícios no setor. Segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), as perdas com fraudes na saúde suplementar chegaram a R$34 bilhões em 2022. Para o executivo, mecanismos como rastreabilidade das decisões, monitoramento contínuo e controle do uso dos dados tendem a ganhar importância à medida que a IA se torna parte da rotina das operadoras. "No futuro, não serão as empresas que
mais usam Inteligência Artificial que terão vantagem competitiva. Serão aquelas que conseguirem governá-la melhor", concluiu.





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