October 23, 2015
Operadoras de saúde complementar viram suas margens de lucro encolherem mais com o aumento de custos e a perda de clientes em razão da queda do emprego formal e da troca por planos mais baratos.
Executivos do setor dizem que na média a margem final das operadoras fica entre 1% e 2%. O resultado operacional do mercado teve déficit de R$ 1,3 bilhão, o que não reflete a realidade de todas as operadoras, frisa a FenaSaúde, pois algumas apresentaram desempenho positivo.
Para a ANS (Agência Nacional de Seguro Complementar); houve uma pequena oscilação negativa do número de usuários.
“É uma variação de 50,5 milhões de vidas para 50,3 milhões”, diz José Carlos de Souza Abrahão, diretor-presidente da agência.
Mesmo grandes operadoras, como Amil, Bradesco e Sul América, viram uma leve queda de associados em relação ao começo deste ano, segundo dados da ANS.
“Há pessoas que rompem o contrato de trabalho, mas que mantêm o plano. Ainda precisamos fechar os dados do terceiro trimestre para cravar uma tendência”, diz.
Além disso, observa-se uma troca de planos mais caros por outros, mais em conta, afirma o diretor.
“As operadoras já vinham tendo prejuízo operacional e isso se agravou neste ano”, diz Marcio Coriolano, presidente da FenaSaúde e da Bradesco Saúde.
“Caiu muito o lucro líquido, resultados vieram bem piores, uma grande diferença entre o desempenho do setor neste ano e em relação ao ano passado.”
A sinistralidade (que mede a relação entre despesas e prêmios) se agravou neste primeiro semestre em relação ao ano passado em um ponto percentual – e já era alta. “Como vivem as operadoras? Vivem do resultado financeiro”, acrescenta. As empresas do setor precisam de garantias para o risco assumido.
“Todas as seguradoras deveriam ter dinheiro para pagar fornecedores e beneficiários, o que nem sempre acontece. É com essa renda que muitas têm sobrevivido. Nosso resultado [da Bradesco Saúde] caiu, mas apresentamos lucro líquido.”
Além da inflação médica, que subiu 18% em relação a 12 meses anteriores, há demora para repassar os custos para os contratos.
“Quando há demissões, deixa-se de arrecadar o prêmio no dia, mas o tratamento que as pessoas fizeram ainda está entrando para as operadoras. Leva quatro meses até encher todo o copinho.”
Para este segundo semestre, a expectativa é que haja uma queda maior do número de associados.
“Devemos perder mais vidas e ficar um pouco negativos por causa de demissões. 0 setor de comércio e serviços ainda não foi muito afetado e efeitos sobre as operadoras podem tardar”, afirma.
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