November 27, 2015
O senador Paulo Paim (PT-RS) fez duras críticas às seguradoras durante a audiência pública realizada nesta 3ª feira, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, que tratou de questões como a proteção veicular. “São milhões de pessoas que reivindicam o direito de proteger seu patrimônio em forma associativa. Então, por que proibir? — questionou o senador, que presidiu a audiência.
Fazendo referência ao fato de as seguradoras resistirem a aceitar o seguro de veículos com mais de dez anos de uso ou cujos donos têm seus nomes inscritos nos serviços de proteção ao crédito, o parlamentar petista comentou que “algumas pessoas parecem que não querem entender que o trabalhador assalariado, que ganha abaixo de dez salários mínimos, pode ter carro do ano”.
Após afirmar que foi procurado, recentemente, por representantes das seguradoras, ele frisou que “lobby para cima de mim não pega e eles nem tentam”. Ressaltou, contudo, que nada tem contra as seguradoras. “Eu não sou contra ninguém. Eu sou a favor de causas e essa é uma causa nobre e é por isso que eu a defendo”, assinalou.
Na mesma audiência, o presidente do Clube de Assistência aos Proprietários de Veículos Automotores (Car Club); Edison Pereira Carvalho, negou que as entidades de associativismo atuem como seguradoras. Ele reclamou do Ministério Público, que “faz muitas exigências, proíbe até a divisão dos prejuízos e bloqueia a conta bancária” e reclamou do fato de a imprensa chamar o segmento de “seguro pirata”.
Segundo ele, isso é “uma injustiça, uma maldade e crueldade”. O dirigente do Car Clube assegurou que o segmento pede apenas o direito de dividir seus prejuízos. “Se o mercado financeiro cobra 400% de juros ao ano não é crime, mas nós que dividimos nossos prejuízos somos acusados de praticar crime. Crime é nós nos reunirmos para não sermos extorquidos? — questionou.
A Susep também foi muito criticada por vários dirigentes do setor presentes. Na versão deles, mais de dois milhões de proprietários de veículos rejeitados pelas empresas de seguro por não preencherem as exigências das seguradoras adquirem apenas cotas e os prejuízos são divididos entre todos. “É antes de tudo uma prática social e política, que tem como princípio decisões democráticas, coletivas, solidárias, trabalho mútuo, valorização das pessoas e cidadania. O que há entre a associação e seus associados é um contrato de objetivos comuns. Nas associações as partes ganham ou perdem em conjunto, ao contrário das seguradoras onde uma parte ganha a outra perde — afirmou o presidente da Associação dos Condutores de Veículos do Brasil (Ascobras); Cleiton Dornelas Luiz Campos, para quem a diferença entre o seguro capitalista e o associativismo é a “autogestão”.
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