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"Quanto mais rápido for o ajuste, melhor"

À frente da Bradesco Asset Management desde o fim do ano passado, o administrador de empresas Reinaldo Le ...



Geral
March 23, 2015

À frente da Bradesco Asset Management desde o fim do ano passado, o administrador de empresas Reinaldo Le Grazie passou a ser responsável pela gestão de R$ 350 bilhões em ativos. Até então diretor de renda fixa da gestora do Bradesco, o executivo assumiu a função quando seu antecessor, Joaquim Levy, foi convidado a desatar o nó da economia como ministro da Fazenda.

Le Grazie, 52 anos, se mostra relativamente otimista com o rumo da economia. Acredita que o superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB); prometido por Levy, será entregue e que o segundo semestre do ano já será melhor. "Acho que as taxas de juros de longo prazo vão começar a cair, as concessões vão aparecer, os financiamentos em infraestrutura serão mapeados", disse ele em entrevista publicada pelo  Valor Econômico de hoje.

A perda do rating soberano pelo Brasil, em sua opinião, não faz sentido. "Nossa dívida bruta, de 64% da PIB, não é métrica para perder grau de investimento. E com a revisão do PIB, essa proporção cairá." No entanto, por ora ele não vê um fluxo de recursos para o Brasil. "Os emergentes não estão propriamente no radar", disse. "E o Brasil não vai atrair fluxo enquanto não reverter esse quadro."

Uma das apostas da gestora para o ano são as bolsas europeias. Por essa razão, a Bram começa a ofertar aos clientes mais abastados fundos para aplicar na Europa e na Ásia. O câmbio, na opinião de Le Grazie, já está próximo do equilíbrio e a taxa Selic, ainda deveria ir a 13,75%. "E quanto mais rápido for esse ciclo de alta de juros, melhor."

Valor: Quais os maiores riscos para o mercado hoje?

Le Grazie: O cenário internacional está indo muito bem. Estados Unidos são a locomotiva. A Europa vem com o \quantitative easing\ também, depois de passar por um vale, com um ajuste fiscal muito forte. O Japão também começa a expandir seu balanço. O mundo de cima está indo muito bem e isso é positivo. O risco que vem de lá é o de alta de juros e de o dólar se valorizar, o que já está acontecendo. O dólar se valorizou nos últimos três trimestres algo como 25% em relação a moedas fortes. É um movimento que sabíamos que iria acontecer, mas não sabíamos como e quanto. As taxas de juros não subiram, nem as longas, mas o dólar se fortaleceu. Para o mundo, o grande risco é um movimento de capitais desordenado trazer algum desalinhamento. Não estou pondo probabilidade nesse evento. Há um ano eu estava mais preocupado que hoje. Porque agora o dólar já andou 25%, a atividade americana já está forte e a inflação, fraca. O preço para baixo das commodities machuca países da América Latina: México, Colômbia, Chile, Brasil, Peru. Então, queda de commodities e valorização do dólar representam um risco ainda, embora menor neste momento. Mas o mundo está crescendo. Do ponto de vista internacional, as notícias são boas.

Valor: Mas não a ponto de gerar um fluxo para o Brasil?

Le Grazie: Os emergentes não estão propriamente no radar. China tem mudança de política e risco de crescer menos. Os outros \BRICS\: África do Sul e Turquia não estão bem; Índia está indo bem, vai crescer mais do que China nos próximos anos; e o Brasil não vai atrair fluxo enquanto não reverter o quadro atual. Do ponto de vista econômico, as medidas no Brasil já estão tomadas. O que o mercado tem dúvida é se vai conseguir fazer a reversão sem um choque mais forte, tipo corte de rating soberano, embora isso não faça sentido pelas métricas que temos.

Valor: Por quê?

Le Grazie: Nossa dívida bruta, de 64% da PIB, não é métrica para perder grau de investimento. E com a revisão de PIB, essa proporção cairá.

Valor: A meta de 1,2% de superávit primário vai ser entregue?

Le Grazie: Acho que sim. Nossas contas mostram que é um esforço grande, mas depende muito da receita. Estamos trabalhando com queda do PIB de 1% em 2015, então, vai ser um esforço grande, mas dá para entregar. É importante entregar 1,2%.

Valor: Quando se olha para a evolução dos ativos do mercado, o que está nesses preços?

Le Grazie: O CDS, que mede risco Brasil e os \corporates\ brasileiros já estão com preço de perda de grau de investimento. O que não faz o menor sentido. O Brasil não vai quebrar. Não tem como. Agora, ele pode ter uma travessia muito dolorosa e isso se mistura nos preços. Não é que os agentes não saibam fazer conta, mas é um equilíbrio difícil de encontrar. No Brasil, tem um choque de tarifa pública e câmbio e é preciso subir os juros básicos para conter o movimento secundário, não tem alternativa. Tem que subir a Selic para 13,5%, 13,75%. Não adianta inventar moda. A inflação está muito pressionada, em um nível entre 7,5% e 8%. Então, temos que fazer o ajuste agora, neste semestre. Esse ajuste vai quebrar a espinha dorsal da inflação, é uma questão de tempo. E quanto mais rápido for esse ciclo de alta de juros, melhor. Agora, sobre o dólar, quando se olha para outras moedas, a desvalorização não foi assim tão forte.

Valor: O sr. acha que o câmbio tem que andar mais?

Le Grazie: Aparentemente, está bem perto do seu equilíbrio. Pode até voltar um pouco, mas ele parece adequado. Mas depende do movimento internacional.

Valor: Em que momento vai chegar ao ponto de atrair "carry trade" e fluxo para renda fixa?

Le Grazie: Acho que não é uma questão de preço de ativos. Hoje, o estrangeiro está vendo um cenário de alta inflação, baixo PIB e muita intervenção na atividade econômica. Mas ele está vendo o ajuste e está esperando esse equilíbrio aparecer. A questão é a retomada da confiança local e internacional.

Valor: Chegaremos a um cenário estável, que permita que esse dinheiro venha?

Le Grazie: Tenho certeza que sim. Tenho certeza de que o Brasil estará melhor daqui a três anos. Mas a travessia está se mostrando mais dolorosa do que se imaginava. O segundo trimestre vai se mostrar bem diferente. Acho que as taxas de juros de longo prazo vão começar a cair, as concessões vão aparecer, os financiamentos em infraestrutura serão mapeados. E o investidor estrangeiro adora esse tipo de negócio. O Brasil vai voltar a crescer no ano que vem. Acredito no ajuste fiscal. A causa da queda da atividade no Brasil agora não é o ajuste fiscal, é o desequilíbrio de preços do ano passado. É a perda da capacidade de investir que o Brasil teve em 2014, que veio um pouco da queda de confiança e um pouco da queda de poupança. O ajuste fiscal não é recessivo, ele cria as condições para o crescimento sustentável de longo prazo.

Valor: Existe algum evento específico que vá determinar a retomada da confiança?

Le Grazie: A primeira coisa é resultado fiscal atrás de resultado. Fevereiro foi bom, março tem que ser bom. Aí, estaremos em abril com um primeiro trimestre bom. Isso faz muita diferença. E depois, precisa baixar um pouco a fervura do debate político. A questão da Petrobras estará resolvida no fim de abril. Eu dou uma alta probabilidade de a empresa estar equalizada no fim de abril, operando \by the book\, ter soltado o balanço, fazendo desinvestimento, trabalhando com uma gestão de caixa mais apertada, mas equalizada. Mas os efeitos da operação Lava-Jato estão gerando insegurança.

Valor: O que o investidor ainda teme e que não está mapeado?

Le Grazie: Uma paralisia do governo. A probabilidade é baixa porque o Congresso está trabalhando. Ele não fala em derrubar o ajuste fiscal. Avançando na Lei Anticorrupção e em acordos de leniência, você libera as empresas para voltar a investir, faz oferta de concessão. Os fundos de investimento estão prontos para financiar infraestrutura. Vamos ter que achar um caminho para interagir com o BNDES e suprir o funding.

Valor: Há recursos para isso?

Le Grazie: Tem fundos, fundos de pensão, investidor internacional que gosta de infraesturtura. Esse movimento vai começar a acontecer quando a taxa básica cair. É um movimento demorado. A gente está discutindo infraestrutura para financiar no fim do ano. Mas com juros mais altos, a taxa de retorno dos investimentos também tem que ser maior. Esse é o cenário que vai fazer a retomada do Brasil.

Valor: Como os fundo estão posicionados?

Le Grazie: Em moedas, não temos grandes \calls\. O cenário é de dólar forte e esse movimento não vai acabar agora. Obviamente, ele não vai subir 25% a cada nove meses, o Brasil não vai desvalorizar 10% a cada 15 dias, mas a moeda está encontrando seu ponto de equilíbrio. A taxa de juros de longo prazo está bem alta aqui, mas tem um risco e os agentes percebem. Esse risco deve diminuir nos próximos meses e a taxa deve cair. Nesse sentido, vemos oportunidade de investimentos. Fundos que investem em ações internacionais estão posicionados em Europa e Ásia, que é onde a gente vê maior potencial. EUA também é bom, mas a Europa ainda é melhor. A Bram está oferecendo produtos para essa região. Commodities têm cenário muito fraco. A gente não vê volta desses preços no momento.

Valor: Sobre juros longos, que nível de taxa o sr. considera razoável para as NTN-Bs de longo prazo, que hoje estão em 6,5% ao ano?

Le Grazie: A máxima que esses papéis atingiram foi 7%. Para o país ficar bonito daqui a três anos, tem que cair para 4%. Mas se cair para 5,5%, é sinal de que a gente está caminhando bem. Só volta a 7% se algum dos riscos acontecer.





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